
Nos dias 29 e 30 de novembro, das 12h às 18h, a Barra Funda volta a abrir suas portas, literalmente. A quinta edição do Design na Barra Funda mantém o mesmo propósito que move o projeto desde o início: revelar outro lado do bairro por meio de estúdios, ateliês, antiquários e espaços criativos que, juntos, formam um mapa vivo de criação. O público percorre livremente as ruas, passa por vielas e pela passarela que cruza os trilhos, descobrindo processos, histórias e modos de pensar o design diretamente de quem o produz.
Para Cleo Döbberthin, artista visual e organizadora do evento, a essência permanece intacta. “O propósito inicial continua o mesmo: abrir portas, compartilhar processos e fortalecer as relações de vizinhança por meio do encontro”, diz. O que mudou, segundo ela, foi a escala. A cada edição, mais estúdios entram no circuito, a rede se expande de forma orgânica e o entendimento sobre o território se aprofunda. “Hoje temos mais trajetos possíveis e afinidades que se consolidaram ao longo dos anos, enriquecendo o projeto sem alterar sua essência.”

A geografia da Barra Funda é parte essencial dessa experiência. O percurso foi pensado para incentivar o caminhar e criar uma sensação real de comunidade, algo raro em São Paulo. “A proximidade física faz com que o visitante entenda que esses estúdios realmente fazem parte de um ecossistema vivo. Eles se encontram nas esquinas, compartilham fornecedores, conversam no dia a dia”, explica Cleo. O trajeto evita grandes avenidas e privilegia caminhos mais humanos, inclusive a travessia simbólica da passarela que conecta dois lados historicamente distintos do bairro.
Outro pilar da iniciativa é seu formato horizontal e colaborativo. Nada ali é centralizado, nem as decisões, nem o fluxo. “A horizontalidade faz com que o circuito seja de fato coletivo. As decisões são feitas em conjunto, e isso mantém o evento vivo e dinâmico”, afirma. O visitante cria seu próprio roteiro, enquanto os criadores se fortalecem mutuamente, trocando técnicas, contatos e até colaborações de trabalho que surgem dessa convivência.

A edição de 2025 reúne cerca de 24 estúdios, mesclando novos nomes e profissionais já consolidados, um sinal claro da vitalidade do design autoral na região. “A Barra Funda conseguiu algo raro: manter-se acessível para novos criadores e, ao mesmo tempo, atrair estúdios mais consolidados”, destaca Cleo. O resultado é uma convivência intergeracional rica, que reflete práticas ancoradas em pesquisa material, processos manuais e forte conexão com ofícios.
O reconhecimento oficial veio também por parte da cidade: o evento agora integra o calendário cultural de São Paulo, ampliando seu impacto. “Isso fortalece o bairro como território criativo, atrai novos olhares e consolida uma cena que já era vibrante, mas muitas vezes pouco visível”, afirma Cleo. No fim, trata-se não apenas de design, mas de urbanidade, de um modelo que nasce do fazer, do encontro e da integração direta com a cidade.



