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Dinah Feldman vive momento de expansão entre teatro, memória e narrativa

por Redação CHNews
09/08/2026
Tempo De Leitura: 4 minutos de leitura
Dinah Feldman – Foto: Mare Martin

Com mais de 20 anos de carreira, Dinah Feldman vive uma fase marcada por projetos que unem teatro, memória e narrativa. Em São Paulo, a atriz protagoniza “Mazal Tov – Quando a Vida Sorri”, adaptação do livro “Mazal Tov – Minha Surpreendente Amizade com uma Família de Judeus Ortodoxos”, da escritora belga J. S. Margot. O espetáculo fica em cartaz de 4 de agosto a 30 de setembro, no Teatro Moise Safra, na Barra Funda, com direção de Dan Rosseto.

Na montagem, Dinah interpreta Margot, uma mulher que revisita a própria trajetória e os encontros que transformaram sua vida. Foi justamente a complexidade da personagem que despertou o interesse da atriz pelo projeto. “Ela é como um novelo de fios entrelaçados, cheio de camadas. Revisa a própria trajetória pela escrita, tentando compreender escolhas, afetos e os encontros que transformaram sua vida. O que mais me encanta nela é essa curiosidade permanente pelo outro”, diz.

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A curiosidade também estabelece uma ponte entre atriz e personagem. Embora Margot não seja judia, Dinah reconhece nela uma inquietação que faz parte de sua própria trajetória.

“Compartilhamos esse desejo de compreender diferentes culturas e pessoas. Ela é escritora; eu me formei em jornalismo, uma profissão que também nasce da observação e da investigação. Minha família tem origens na Rússia, Romênia e Egito, e cresci cercada por diferentes referências culturais.”

A cultura judaica também atravessa a formação artística de Dinah, mais como referência cultural do que religiosa. Foi em uma escola judaica que ela teve contato com teatro, poesia, música e dança. “A arte sempre foi minha forma de compreender e me comunicar com o mundo. Olhando para trás, percebo que esse universo apareceu em diferentes momentos da minha trajetória artística, mas nunca como ponto de partida. Sempre comecei pelas personagens e pelas histórias que me emocionavam.”

Essa relação entre história, identidade e memória também está no centro de outro projeto importante de sua carreira, “O Vazio na Mala”. Criado a partir do testemunho de um primo da atriz e de uma mala de guerra hoje preservada no Museu Judaico de São Paulo, o espetáculo mistura memória e ficção para abordar traumas, silêncios e histórias transmitidas entre gerações. O projeto ganhou novos contornos quando Dinah passou a trabalhar no Museu Judaico no ano de sua inauguração e conviveu diariamente com a mala que havia inspirado a criação. “Hoje olho para trás e percebo que foi um espetáculo que transformou minha trajetória, tanto como criadora quanto como atriz”, argumenta.

Em 2025, Dinah apresentou o processo de criação da peça em uma conferência na China dedicada a discussões sobre teatro, memória e preservação de histórias. Agora, trabalha para ampliar a circulação do espetáculo no Brasil e no exterior.

“Foi muito significativo perceber como uma narrativa tão brasileira dialogava com pessoas de culturas completamente diferentes. Estamos trabalhando para levar o espetáculo à circulação internacional. Acredito que as histórias capazes de atravessar fronteiras são justamente aquelas que falam da experiência humana.”

Antes disso, a atriz pretende levar “O Vazio na Mala” a diferentes capitais brasileiras e realizar novas temporadas em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Da atuação à narrativa oral

Dinah Feldman – Foto: João Caldas Filho

A trajetória de Dinah também passa pela narrativa oral. Ela começou a contar histórias quando já trabalhava como atriz e, inicialmente, acreditava estar apenas experimentando outra linguagem ligada ao teatro. A prática, no entanto, ganhou espaço próprio em sua carreira. Durante dez anos, trabalhou ao lado de Fernanda Viacava, parceria que considera fundamental para sua formação como narradora. A experiência também a levou a festivais na África, Colômbia e Israel.

“Foi viajando que compreendi que essa relação com a oralidade sempre esteve presente na minha formação. A cultura judaica é uma cultura de narrativas, transmitidas de geração em geração, e percebi que, de certa forma, dei a volta ao mundo para reencontrar minhas próprias origens.”

Entre as experiências que guarda na memória estão uma apresentação dentro de um rio, na África, diante de uma plateia que não falava português, e a participação em um festival em Buga, na Colômbia. Mas um dos encontros mais marcantes aconteceu em uma biblioteca na periferia de São Paulo, diante de jovens em processo de recuperação. “Eles chegaram desconfiados e, aos poucos, foram permitindo que as histórias revelassem fragilidades, memórias e afetos. É nesses encontros que a arte mostra sua potência.”

Enquanto desenvolve novos projetos e planeja ampliar sua presença no audiovisual, Dinah continua interessada em personagens femininas complexas. Algumas histórias, conta, permanecem em seu imaginário há anos. “A lenda da Papisa Joana e a trajetória das Polacas, mulheres que viveram situações de enorme vulnerabilidade e resistência, me acompanham há décadas.” Mas há também o desejo de encarar grandes textos do repertório teatral. “Gostaria muito de mergulhar em grandes clássicos. Shakespeare, Tchekhov e as tragédias gregas continuam despertando minha curiosidade. O mais bonito da profissão é saber que ainda existem muitos encontros artísticos pela frente”, finaliza.

Tags: 20 anos de carreiraatrizcomunidade judaicaculturasDinah FeldmanespetáculojudeuslivroMazal Tovmemóriasnarrativateatro
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