
Aos 22 anos, Enzo Campeão reúne uma trajetória que surpreende pela solidez construída desde muito cedo. Carioca, começou a estudar teatro aos nove anos, na escola da diretora Cininha de Paula, e cresceu entre ensaios, montagens e processos que formaram seu olhar artístico. Mais tarde, concluiu formações profissionais pela Escola de Atores Wolf Maya e pela CAL (Casa de Artes de Laranjeiras).
O cinema chegou para ele primeiro pela comédia “Uma Mulher Sem Filtro”, hoje na Netflix. Enzo interpretou Nicolas, o enteado de Fabíola Nascimento, em um papel que, segundo ele, deixou marcas importantes. Agora, ele se prepara para um novo passo: a estreia de seu primeiro antagonista nas telonas, em “D.P.A. 4 – O Fantástico Reino de Ondion”, que chega aos cinemas em 4 de dezembro. “Ter feito parte de ‘DPA 4’ foi muito especial. É meu primeiro personagem grande, antagonista, nos cinemas. O clima das preparações e do set era leve, acolhedor. Estou muito feliz com o resultado e ansioso para que o público conheça o Juks”, afirma.
Embora jovem, Enzo fala sobre o papel com clareza e maturidade. “Eu sempre quis interpretar um vilão. Sempre tive curiosidade por esse universo. Entendo a lógica interna desses personagens, essa sensação de que, para eles, suas ações fazem sentido”, explica.

Para ele, viver essa outra camada humana teve um sabor particular. “É um tipo de liberdade. A gente pode acessar lados que não mostra no cotidiano. Existe uma complexidade interessante aí.” Entre as cenas mais marcantes da experiência está a do basquete (presente no trailer), sequência para a qual precisou treinar em estúdio. “Foi um processo divertido. Eu nunca tinha jogado basquete e, quando acertei uma cesta de três durante uma gravação livre, só pensei: tomara que isso entre no filme. E entrou”, lembra. Ainda assim, a cena que ele mais aguarda não é sua: “É uma cena da Brisa, da Cleo. Acredito que as crianças vão se emocionar”, diz sem dar spoiler.
A mudança para São Paulo, em 2024, foi outro ponto de inflexão na carreira. Enzo se mudou para estudar teatro musical e encarou o período como uma prova pessoal. “Nunca tinha me mudado de estado. Tive um mês para organizar tudo e foi, sim, um risco artístico importante. Mas era algo que eu desejava muito”, conta. A experiência, no entanto, acabou marcada por vínculos afetivos fortes. “Morei com amigos que viraram família. Foi um período de muito aprendizado.” De volta ao Rio, ele já planeja retornar à capital paulista no próximo ano.
Entre os projetos futuros, um deles ocupa espaço especial: um solo teatral escrito por ele. “Sempre tive vontade de fazer um monólogo. Comecei a escrever um texto de tom mais denso, que funciona como uma carta aberta de um garoto de programa, refletindo sobre o que o levou a essa vida. Gosto de trabalhos que provoquem reflexão no público”, adianta. A ideia é estrear o espetáculo em 2026.

Apesar da pouca idade, Enzo fala da profissão com dedicação rara. “Atuação é estudo contínuo. Quero seguir estudando, sempre”, afirma. Atualmente, ele se divide entre aulas de canto, audições para musicais, testes para audiovisual e novos projetos. Uma possibilidade internacional também entrou no radar: “Fiz uma audição nos Estados Unidos e recebi bolsa, mas decidi não ir agora. Quero consolidar minha base no Brasil antes de buscar algo lá fora.” Entre Nova York e Los Angeles, ele ainda não se decidiu, mas trata isso como uma etapa futura, não uma urgência.
Com uma formação consistente, uma inquietação criativa evidente e um momento de carreira em franca expansão, Enzo surge como um nome de observação no audiovisual e no teatro musical. A estreia como Juks, em “D.P.A. 4”, parece apenas confirmar que sua trajetória está entrando em uma fase de amadurecimento e novos desafios.



