
O Festival de Cinema de Trancoso, que acontece neste sábado (07.12), será palco de uma homenagem emocionante: a exibição de “Fôlego – Até Depois do Fim”, documentário confessional em que a atriz Maria Carol Rebello revisita sua própria história e a trajetória artística de uma das famílias mais icônicas da televisão brasileira. A sessão ganha ainda mais peso simbólico com a presença da mãe de João Rebello [multiartista assassinado por engano em 2024] cuja memória é central no filme.

Dirigido por Candé Salles, o documentário nasce do impulso visceral de Maria Carol de registrar suas memórias e transformar luto em movimento. Em cena, ela narra sua vida, seu processo criativo e as camadas afetivas que unem gerações dos Rebello: a força espiritual da avó, Hilda Rebello; o magnetismo cômico e generoso do tio, Jorge Fernando; e a inquietação artística do irmão, João, que brilhou na TV dos anos 1980 e 1990 antes de se reinventar como DJ e diretor de videoclipes, assinando trabalhos de nomes como Ludmilla e Marcelo D2 e deixando uma marca profunda na música preta brasileira.
A história, que começou a ser gestada após a morte de Jorge Fernando em 2019, ganha nova urgência depois do crime que tirou a vida de João em Trancoso. No filme, Maria Carol fala abertamente sobre a necessidade de corrigir equívocos da cobertura inicial, desmentir fake news e contextualizar a violência que marcou a região. Ao mesmo tempo, resgata a pulsação cheia de humor, afeto e espiritualidade que sempre guiou sua família, que ela define como “uma trupe de circo com entrada liberada na casa de milhões de brasileiros”.

Para ampliar esse mosaico emocional, o documentário reúne depoimentos de amigos e admiradores que conviveram com três gerações dos Rebello: Xuxa, Claudia Raia, Ney Matogrosso, Marcelo D2, Tony Ramos, Guel Arraes, Silvio de Abreu, Patrícia Travassos, Mariana Ximenes e tantos outros que ajudam a redesenhar, em palavras e lembranças, o brilho de Jorginho, D. Hilda e João.

Gravado de forma totalmente independente no primeiro semestre de 2025, “Fôlego – Até Depois do Fim” chega aos festivais como uma celebração da arte e da resistência, e como um gesto íntimo de quem transforma dor em luz. O lançamento coincide com o aniversário de um ano da morte de João, reforçando o que Maria Carol repete como mantra e direção: é preciso respirar. E seguir. Mesmo depois do fim.



