
A Gabriel Wickbold Gallery, em São Paulo, inaugura no dia 6 de abril a exposição “Código-Mãe”, que reúne 22 pinturas inéditas de Jane e Gabriel Wickbold. Mãe e filho, os artistas desenvolveram as obras em colaboração direta, ao longo de um processo contínuo no ateliê. Realizadas a quatro mãos e em diferentes formatos, as telas exploram gesto, repetição e permanência como elementos centrais da construção pictórica.
O projeto marca a retomada pública da produção de Jane Wickbold, artista ativa desde os anos 1990, cuja trajetória foi interrompida no início dos anos 2000. A retomada não ocorre como revisão retrospectiva, mas como prática compartilhada: ambos atuam simultaneamente sobre as mesmas superfícies, estabelecendo um campo comum de linguagem.
Conhecido por sua produção desde 2012, Gabriel Wickbold desloca sua prática para a pintura e assume o processo como eixo central do trabalho. Em parceria com Jane, desenvolve uma dinâmica baseada na repetição de gestos, na sobreposição de camadas e na relação direta com o tempo de execução.

Ao operar em diálogo direto com a produção de Jane, o projeto tensiona a noção de origem e influência. A relação entre os artistas desloca a leitura da autoria para um campo compartilhado, em que valores como disciplina, persistência e atenção ao tempo passam a ser entendidos como parte de um ambiente formador, e não apenas como construções individuais. O projeto inclui ainda um documentário em desenvolvimento, que acompanha o processo no ateliê e amplia a reflexão sobre tempo, prática e convivência.
Mais do que uma colaboração, “Código-Mãe” se apresenta como uma investigação sobre continuidade e linguagem. A exposição propõe uma leitura da prática artística como espaço de transmissão, no qual a autoria emerge de processos compartilhados, muitas vezes invisíveis.
Gabriel Wickbold Gallery -R. Lourenço de Almeida, 167, Vila Nova Conceição, São Paulo, SP.



