
Aos 27 anos, Lucas Amorim vive um momento de virada na carreira. Com gravações recém-finalizadas na Suíça, o ator brasileiro, que vive há mais de uma década na Europa e tem cidadania italiana, sente que a trajetória profissional entra definitivamente em uma nova fase. “Acho que representa a expansão mesmo. Já não está só no âmbito nacional, brasileiro. Já estou fazendo coisas fora, e isso é muito importante pra mim”, afirma.
Antes do projeto europeu, Lucas já havia trabalhado na Inglaterra, experiência que reforçou seu desejo de construir uma carreira internacional sem romper com o Brasil. “O Brasil nunca sai de você. Eu sempre sinto a necessidade de voltar, seja pela família, pelos amigos ou pelo trabalho. Mesmo agora, depois de quase um ano fora, já bate essa vontade de voltar de novo.”
A visibilidade recente ganhou força com a campanha #LucasForAce, que começou dentro do fandom de One Piece e rapidamente extrapolou esse universo. Para Lucas, o impacto ficou claro quando a movimentação virtual passou a gerar efeitos concretos. “Eu percebi no momento em que começaram a surgir propostas na minha área. Normalmente o ator vive de teste, audição o tempo todo. Depois da campanha, os convites começaram a ser mais diretos, os trabalhos já vinham com o meu nome.”

A preparação intensa para o papel de Portgas D. Ace, com treinos físicos, lutas e estudo de japonês, foi encarada como parte natural do seu processo. “Eu sempre fui muito disciplinado. Para todos os projetos, eu estudo, leio livros, assisto filmes. A diferença ali é que o trabalho não era garantido. Ninguém estava me prometendo nada.” Ainda assim, ele seguiu firme. “Eu sabia que ia fazer uma coisa que eu gostava e tinha certeza de que aquilo ia mudar minha vida, nem que fosse pela oportunidade de um teste.”
Mesmo sem a confirmação no elenco da série, Lucas acredita que o processo foi transformador. “Eu só mostrei o bastidor que muitos atores não mostram. Quando você quer fazer um trabalho bem feito, você se empenha, dá o seu melhor. Isso vale pra atuação e pra qualquer área da vida.”
Essa postura explica também por que ele passou a escrever, dirigir e produzir seus próprios projetos. “Não foi exatamente uma estratégia, foi uma necessidade. Eu não queria ficar esperando um produtor me chamar. Queria estar produzindo, fazendo o que eu amo, investindo nisso.” Foi assim que nasceu “True Self”, curta-metragem que ele escreveu, dirigiu, produziu e protagonizou, e que já ultrapassou 115 mil visualizações no YouTube. “É uma história com uma mensagem forte. Eu sinto que pode mudar a vida de alguém. Artisticamente, isso já é um retorno enorme.”

O próximo passo é o longa “De Volta Pra Casa”, com estreia prevista para março de 2026, inicialmente em Itapetininga, no interior de São Paulo, onde foi rodado. A história aborda conflitos familiares atravessados por diferenças profundas, sem citar diretamente a política. “Eu quis colocar dois irmãos totalmente diferentes tentando se aproximar por um bem comum. Os dois com defeitos, os dois com acertos. É sobre como a gente pode se dividir, mas também tentar se unir.”
Ao falar do mercado audiovisual, Lucas é direto sobre os desafios enfrentados por atores brasileiros no cenário internacional. “Já é difícil o próprio brasileiro consumir o produto nacional. A gente valoriza muito o que vem de fora. Lá fora, então, é ainda mais complicado. Muitas vezes eles não distinguem um ator brasileiro de um ator mexicano ou espanhol. Pra eles, é tudo latino.”
Ainda assim, ele segue apostando em caminhos próprios. À frente da produtora The Seven Films, Lucas quer ampliar sua atuação como criador. “Tenho muitos projetos escritos. Quero fazer parte do futuro do cinema nacional, dar oportunidade para artistas brasileiros e contar histórias que possam impactar alguém, como tantos filmes já fizeram comigo.”

Sobre o futuro, ele prefere manter em aberto. “Tenho feito muitos testes, então tudo depende de alguns ‘sins’. Posso ir para o Brasil, ficar aqui, ir para outro país.” No momento, porém, um desejo pessoal se destaca: “Quero viver mais perto da praia, sair um pouco do frio da Europa, criar mais, investir no digital e manter essa liberdade geográfica.”



