
A Galeria Luisa Strina inaugura, no dia 1º de outubro, duas exposições que partem de universos distintos para investigar as relações que estabelecemos com o mundo ao redor. Enquanto Jarbas Lopes aproxima corpo, natureza e cultura em “nome ar”, o espanhol Oriol Vilanova examina os afetos, desejos e narrativas envolvidos no ato de colecionar em “Não há só uma maneira”, sua primeira individual no Brasil. As aberturas acontecem das 18h às 21h e a mostra permanecem em cartaz até 14 de novembro.
Em “nome ar”, Lopes apresenta trabalhos inéditos marcados por sua sensibilidade ecológica e pela valorização do fazer manual. Materiais orgânicos e pouco convencionais transformam a experiência do espaço: colchões de juta e folhas de bambu convidam o público a se deitar, enquanto telhas produzidas com papel e goma de tapioca revestem as paredes. Em uma nova série de desenhos, o artista mastiga o carvão antes de lançá-lo sobre o papel, incorporando o próprio corpo ao processo criativo. A abertura contará ainda com uma performance de Lopes, que ativará o espaço expositivo por meio de movimentos de caráter teatral.

Já em “Não há só uma maneira”, Vilanova [artista que representa a Espanha na 61ª Bienal de Veneza] volta-se para a intimidade dos colecionadores e para os vínculos amorosos que mantêm com seus acervos. A exposição reúne palavras, cartas e fotografias, com destaque para “Dear”, instalação formada por cartas manuscritas dirigidas pelos colecionadores às próprias coleções, e “Al descubierto”, série que revela e, ao mesmo tempo, oculta o vasto arquivo de cartões-postais mantido pelo artista há mais de duas décadas.
Ao longo da temporada, a mostra de Vilanova receberá ainda performances de “Palabras prestadas”, nas quais colecionadores brasileiros lerão publicamente um poema sobre a devoção aos objetos que escolheram reunir. Entre matéria orgânica e memória acumulada, as duas exposições propõem outras maneiras de pensar o corpo, os objetos e os afetos que atravessam nossa relação com o mundo.
Galeria Luisa Strina – Rua Padre João Manuel, 755, Cerqueira César, São Paulo, SP.



