
Encerrando a #mfw, a Giorgio Armani apresenta seu verão 2027 em um diálogo entre tradição e continuidade, quase como se “batessem um fio” entre o auge na era disco e o agora sob o comando criativo de Silvana Armani, sobrinha do mestre Giorgio.
Esse trocadilho vintage de “bater um fio” tem seu por quê: afinal, tudo parte de uma linha, linha reta, curva, que se cruza, se distancia, linha esportiva ou de festa, linha de algodão ou de canutilhos, linha de raciocínio, linha do tempo. A alfaiataria sempre impecável, os vestidos um primor de elegância… O que mais dizer?
Talvez seja essa fácil interpretação, essa objetividade de entregar perfeição nua e crua em nossa cara, que faz dessa nova fase da marca tão interessante. A inteligência de aplicar um fundamento básico de modelagem e replicá-lo em silhuetas revividas de coleções históricas é maravilhosa.
As cores neutras e sóbrias vão ganhando vida por bordados e cintilância, como em um globo de espelhos que, ao girar, resplandece e se apaga em um piscar ritmado e vivo como o bater de asas. Talvez por isso as borboletas, ou por elas serem símbolo de renovação, pousaram em bijoux e aplicações pela coleção como mais um signo.A linha tênue entre encantar e passar despercebido é o risco que se tem de correr quando excessos não são parte do repertório e muito menos do que se espera. E Silvana sabe disso muito bem, divertindo-se nessa condução: franjas, torções, estampas e layers celebram a mulher livre da marca, aquela que às vezes voa ou pisa, também, fora da linha.



