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Masp exibe vídeos da artista Tourmaline com causas LGBTQIA+

por Redação CHNews
18/04/2024
Tempo De Leitura: 3 minutos de leitura
“Salacia”, 2019, Tourmaline – Foto: Reproduçãao/Vídeo

O Masp – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand – apresenta, de 26 de abril a 23 de junho de 2024, no 2º subsolo do museu, “Sala de vídeo: Tourmaline”, com exibição de vídeos da artista, cineasta, escritora e ativista norte-americana Tourmaline (Roxbury, Massachusetts, 1983). Sua obra destaca manifestações culturais, opressões e modos de sobrevivência das comunidades negra, queer e trans, reescrevendo narrativas e histórias dominantes através de citações e referências a importantes figuras da resistência queer dos Estados Unidos, como Marsha P. Johnson – ativista considerada um ícone da revolta de Stonewall. 

Com curadoria de Teo Teotonio, assistente curatorial, Masp, a mostra de estreia da artista no Brasil reúne os trabalhos “Atlantic is a sea of bones” (2017), “Happy Birthday, Marsha!” (2018) e “Salacia” (2019). Ao estabelecer relações entre ficção e realidade, Tourmaline procura reformular crenças e iniciar uma mudança de paradigma com o intuito de imaginar um futuro sem opressões de raça, gênero e sexualidade. “A trilogia percorre passado, presente e futuro em cenários simultaneamente documentais e oníricos. Ao entrelaçar fato e ficção, Tourmaline reimagina criticamente narrativas que foram apagadas ou negligenciadas, confrontando opressão e resiliência em uma abordagem interseccional e poética, onde gênero, raça e classe estão intrinsecamente interligados”, comenta Teotonio. 

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Em “Atlantic is a sea of bones” [O Atlântico é um mar de ossos] (07’28”), Egyptt LaBeija, ativista, performer e madrinha da House of LaBeija – primeira casa de ballroom da história -, interpreta a si mesma em uma sequência de imagens que transitam entre realidade e sonho. No início, LaBeija olha para um dos píeres do Rio Hudson através da janela do Whitney Museum of American Art enquanto comenta sobre sua trajetória. Séculos antes, o mesmo lugar havia sido ponto de chegada de pessoas escravizadas que atravessaram o oceano Atlântico, vindas do centro-oeste africano. 

Mary Jones – mulher negra, trans e trabalhadora do sexo que viveu em Nova York na metade do século 19 – é quem inspirou a produção audiovisual “Salacia” (06’04”). Após sua prisão, em 1836, sob alegação de furto, Mary se tornou conhecida devido a circulação em jornais do seu retrato, intitulado “The Man Monster” [O Homem Monstro]. No filme, a artista recria a história de Mary em Seneca Village – uma comunidade de pessoas negras autônomas que existiu na contramão da escravização, entre 1825 e 1857, onde atualmente se localiza o Central Park. A produção, ao mesmo tempo, torna visível a trajetória de uma personalidade pouco reconhecida e reflete sobre transfobia e racismo.

Em “Happy Birthday, Marsha!” [Feliz aniversário, Marsha!] (14’35”), fragmentos do cotidiano ganham proporções históricas. O vídeo mistura encenações e imagens reais de Marsha P. Johnson (1945-1992), ativista, performer e referência na luta pelos direitos da população pobre e LGBTQIA+. O desfecho da trama se dá no início da Rebelião de Stonewall, evento de resistência à violência policial contra pessoas transgênero, gays e lésbicas, que se tornou um marco na história da militância da comunidade, dando origem ao dia do orgulho LGBTQIA+. 

Tags: Egyptt LaBeijagêneroLGBTQIA+Marsha P. JohnsonMary Jonesnorte-americanaraçasexualidadeTourmalinevídeos
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