
O movimento migratório dos pássaros em busca da melhor temperatura e spots para reprodução anualmente invade o céu e, de forma sistemática e repetitiva, garante a sobrevivência das espécies. Em uma rota mais alternativa, o fluxo migratório cruzou os céus do Grand Palais em um rasante apenas para apresentar a nova ninhada, ou melhor, a nova coleção de verão 2027 da Chanel.
Matthieu Blazy segue decodificando a silhueta de jaquetas e saias de tweed clássicas da maison em um grande rearranjo do ninho. Tira-se o peso, ficam as texturas, movem-se as modelagens com fendas, modelam o corpo com cintos e barbatanas, dando a ideia de espartilhos. Mas a mulher da maison segue livre e liberta, como os pássaros demonstram ser em sociedade: mesmo que exista uma necessidade natural, aventa-se sempre a possibilidade do contraditório.
Ao som de “Take on Me”, do A-ha, hit das pistas dos anos 80, o desejo escapista e sonhador dos que voam garante momentos, e quem sabe vidas, menos óbvios. Apenas por um momento, deixe-se levar, como as libertárias dos anos 20 que inspiraram tanto Gabrielle com suas silhuetas de cintura baixa, as sufragistas que se colocaram no front e garantiram o direito ao voto, e até mesmo Britney Spears com seu afronte sexual ao som de “Gimme More”.
Ok, o discurso talvez ficasse mais robusto se a antecessora, Virginie Viard, não tivesse, há poucos dias, lançado uma polêmica biografia que vai justamente ao encontro da forma antifeminista como foi tratada pela imprensa e pela empresa, desde que assumiu a direção criativa da casa até sua saída. Brilhante, ela foi um destes pássaros que fez bem o ninho, cuidou da cria e soube voar, independente e corajosa também!
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