
Nelson Rodrigues visto de perto, muito perto. Após uma primeira temporada de sucesso, “Valsa nº 6” retorna aos palcos paulistanos a partir de 10 de setembro, no Teatro Sérgio Cardoso. Com direção de Jorge Farjalla e Carol Costa em cena, a montagem é apresentada para apenas 40 espectadores por sessão, acomodados sobre o palco da Sala Paschoal Carlos Magno.
Único monólogo escrito pelo dramaturgo, o texto acompanha uma mulher atravessada por lembranças, delírios e diferentes vozes. Na leitura de Farjalla, esse universo fragmentado ganha contornos contemporâneos ao abordar a violência contra a mulher, os abusos mantidos em silêncio e as marcas deixadas por relações opressoras.
A configuração em arena elimina a distância tradicional entre palco e plateia. Cercada pelo público, Carol Costa dá corpo às várias personagens que surgem ao longo da narrativa e conduz uma experiência na qual realidade e memória se confundem.
“É impossível atravessar esse texto sem pensar em todas as Sônias que continuam sendo silenciadas, apagadas ou desacreditadas. Essas histórias, esses abusos, acontecem mais perto de nós e com mais frequência do que gostaríamos de admitir. Por isso, é urgente escutar nossas mulheres, jovens e crianças”, afirma a atriz.

A atmosfera da montagem é ampliada por uma trilha eletroacústica criada por Gui Leal, parceiro de Farjalla em “Ópera do Malandro”. O desenho de som de Tocko Michelazzo envolve os espectadores na espacialização sonora concebida para o espetáculo, enquanto a iluminação de Gabriele Souza acompanha os deslocamentos emocionais da personagem. A produção é de Thiago Catelani.
Premiada por trabalhos no teatro musical, Carol Costa integrou recentemente o elenco de “Ópera do Malandro”, como Teresinha. A atriz venceu os prêmios DID e Bibi Ferreira por sua interpretação de Bibi Ferreira em “Clara Nunes – A Tal Guerreira” e também protagonizou “Chicago” no papel de Roxie Hart.
Farjalla, por sua vez, mantém uma relação recorrente com a dramaturgia rodriguiana. Antes de “Valsa nº 6”, dirigiu montagens de “Dorotéia”, “Senhora dos Afogados” e “Álbum de Família”. Conhecido por uma linguagem visual de forte apelo pop, o diretor também assina sucessos como “O Mistério de Irma Vap”, “Brilho Eterno” e “Clara Nunes – A Tal Guerreira”, espetáculo que lhe rendeu o Prêmio Bibi Ferreira de melhor direção em musicais.

Em “Valsa nº 6” tudo se concentra em uma atriz, algumas vozes e 40 pessoas dispostas a encarar, sem distância de segurança, um texto que continua desconfortavelmente atual.
Teatro Sérgio Cardoso – Rua Rui Barbosa, 153, Bela Vista, São Paulo, SP. Ingressos Sympla.



