
O grupo Kering está entrando em uma nova fase sob a liderança do novo CEO Luca de Meo. Apenas três semanas após assumir oficialmente o cargo, de Meo convocou centenas de executivos para uma reunião global para detalhar seu roteiro e “colocar as equipes em ordem”, segundo o site “La Lettre”.
O novo CEO convocou o encontro para detalhar seu roteiro e “colocar as equipes em ordem”, conforme relatado pelo “La Lettre”, e confirmado pela agência de notícias AFP. A reunião, que será realizada por videoconferência, ocorre após os executivos do grupo receberem um memorando interno redigido por de Meo antes mesmo de sua nomeação oficial, em setembro passado.
No documento, o executivo italiano, que substitui François-Henri Pinault na gestão diária do grupo, apresenta um diagnóstico da situação da Kering e propõe “mais de uma dúzia de linhas de trabalho” para relançar seus negócios. Entre as principais propostas está uma mudança estratégica para “colocar o cliente de volta no centro” e reduzir a dependência do peso criativo das direções artísticas.
De Meo acredita que a visão dos designers “é perfeita para 20% dos produtos mais criativos e emblemáticos de uma coleção”, mas que “para os outros 80%, a visão dos designers é perfeita para os 80% restantes”. Mas que “para os outros 80%, artigos de couro de pequeno porte, calçados e prêt-à-porter comercial, o bom senso das indústrias de massa deve ser aplicado: entender com precisão as expectativas do cliente”.
O executivp pretende reduzir pela metade o tempo de desenvolvimento dos produtos, do habitual um ano entre o design e a chegada à loja, para um máximo de seis meses. O objetivo, segundo ele, é “ganhar velocidade” e adaptar a estrutura da Kering a um contexto global mais competitivo e em constante mudança.
No memorando, Luca de Meo também destaca a necessidade de “racionalizar, reorganizar e reposicionar” algumas das marcas do grupo, que detém Gucci, Saint Laurent, Bottega Veneta, Balenciaga e Boucheron.
Além disso, o executivo pretende dar continuidade ao processo de desalavancagem. “A situação atual reforça nossa determinação em agir sem demora”.
A nomeação de Luca de Meo, ex-CEO da Renault e com longa trajetória na indústria automotiva, foi interpretada como um compromisso com a eficiência industrial e a gestão da marca em um grupo que atravessa seu momento mais delicado em uma década.
Após vários trimestres de declínio na Gucci e com o luxo europeu em crise, a Kering agora enfrenta uma reestruturação que visa equilibrar criatividade, negócios e execução.
O objetivo de De Meo, segundo fontes do grupo, é estabelecer uma disciplina operacional transversal que agilize as decisões e unifique a estratégia de produtos sem diluir as identidades da marca.
Em outras palavras, substituir o modelo de “visão do criador” por uma estrutura capaz de ler os movimentos do consumidor global com a mesma precisão de uma montadora em seu mercado.
No horizonte imediato, o executivo enfrenta a tarefa de reconstruir a confiança do mercado. Em 2024, o grupo reduziu suas vendas em 4% e fechou o ano com uma queda de dois dígitos no lucro líquido.



