
O Centro Cultural Correios Rio de Janeiro abre no dia 26 de novembro, das 16h às 20h, a exposição “Eu aos pedaços ou Ainda assim eu voo”, de Patrícia Pedrosa. A mostra reúne trabalhos produzidos entre 2021 e 2025, período em que a artista ampliou sua pesquisa em gravura e experimentou novos formatos. “Eu aos pedaços ou Ainda assim eu voo” fica em cartaz até 17 de janeiro de 2026, com entrada gratuita, de terça a sábado, das 12h às 19h, no Centro Cultural Correios (Rua Visconde de Itaboraí, 20, Centro, Rio de Janeiro).

A exposição apresenta 20 obras, entre gravuras, vídeo-performance, cerâmica, livro de artista e sketchbook. Os trabalhos utilizam procedimentos como bordado, colagem, recorte, pintura e xerografia, aplicados em suportes diversos, como papel vegetal, tecido e bastidores, explorando relações entre superfície e material.

A pesquisa de Patrícia parte do corpo feminino e das marcas acumuladas ao longo do tempo. Durante a pandemia de Covid-19, esse eixo ganhou novos contornos, influenciado pelo isolamento e pelas mudanças de rotina.

Entre as obras, o livro de artista feito a partir de um exemplar da segunda edição de “Conheça o escritor brasileiro Carlos Drummond de Andrade” (1978) retoma um objeto recebido pela artista na adolescência. As intervenções no livro [recortes, desenhos e novas composições] integram literatura e memória. O sketchbook reúne anotações, referências e etapas de trabalho entre 2021 e 2025.

A cerâmica apresentada foi moldada a partir dos seios da artista e quebrada durante a queima. A peça permaneceu guardada até 2025, quando Patrícia retomou o trabalho após nova cirurgia na mesma região. Os fragmentos foram reunidos em um processo inspirado no kintsugi, com uso de materiais contemporâneos.

As obras da mostra retomam medidas e registros ligados ao corpo da artista, criando uma espécie de mapeamento pessoal. Para Patrícia, expor o corpo em diferentes escalas ou processos integra sua investigação sobre as marcas deixadas pelo tempo. A artista define essa abordagem como “autobiomórfica”, voltada a materializar transformações físicas e simbólicas.



