
Uma estreia aguardada pelo mundo da moda era poder ver finalmente como Pierpaolo Piccioli iria apresentar a linha Haute Couture da Balenciaga. Das salas mais sombrias e gélidas da era Demna para a solar escadaria da Cité Universitaire, as modelos desceram e subiram os degraus no que, para quem acompanha a carreira de Pierpaolo, pareceu um pouco de déjà-vu.
A alta saturação da cartela de cores talvez? O zibeline encorpado, quem sabe? Ou seria o tom dramático e luxuoso? Sim, tudo isso junto, pois é a assinatura que o designer imprime nesta estreia e, possivelmente, daqui para frente veremos mais e mais em suas coleções.
Apesar da dose cavalar de Pierpaolo injetada nesta primeira alta-costura, o streetwear de seu antecessor e a arquitetura do fundador se fazem presentes, como nas t-shirts com as costas abauladas, regatas com saias balonê, vestidos trapézio e nos casacos de mangas extra bufantes.
A interpretação do simples executado com excelência faz parecer fácil. Ao simples olhar rápido, nem mesmo parece couture de fato; a perfeição atingida nas peças parece feita à máquina, mas o olhar atento capta o sentimento aplicado em cada alinhavo à mão de um ateliê brilhante que fizeram os convidados se levantarem para aplaudir ao final do desfile.
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