
Mulheres empoderadas falam o que pensam, vestem e fazem o que querem, e é esta a sensação que temos ao entrevistar Paula Correa, fundadora da grife Pou. Nascida em Belo Horizonte, ela é filha de uma advogada de sucesso da capital mineira, Roberta Correa, e, quando jovem, foi incentivada a cursar direito para seguir os passos da mãe. Mas a tentativa não durou muito tempo.
“Sempre gostei de moda. No casamento da minha mãe com o meu padrasto, eu que desenhei o meu vestido de dama de honra. Me inspirei em uma Barbie e fiz alterações. Minha mãe tinha uma costureira em BH e eu não gostava de comprar roupa. Gostava de fazer as minhas próprias”, lembra.
Aos 20 anos, veio para São Paulo em busca dos seus sonhos. Procurou a diretora criativa Adriana Bozon, da InBrands, para conseguir um estágio na área jurídica da empresa. “Pensei, na época, que pelo menos eu estaria trabalhando na área da moda. Mas, quando Adriana viu meus desenhos, já me mandou direto para a equipe de criação da Ellus, onde aprendi muito sobre o mercado fashion.”

Depois de deixar a equipe da Ellus, Paula resolveu dar mais um passo rumo à direção criativa, desenhando todas as roupas que ela mesmo usaria no Réveillon de Trancoso (BA). Assim nasceu a vontade de criar sua própria marca, que ganhou esse nome por conta de um apelido dela na infância, “Poli”, que acabou virando a Pou.
Recorreu então a seu padrasto, Nelson Alvarenga, atrás de recursos para começar a empreitada – e ele acabou se tornando CEO da empresa. “Lancei minha marca e, na primeira semana, uma peça que criei toda em crochê, batizada de conjunto Shibuya, estourou e vendeu tudo”, conta. Entre erros e acertos, a Pou agora está indo para o seu terceiro ano de vida, e sempre inovando.
Paula credita a virada de chave na trajetória da Pou em quatro momentos. O primeiro foi contratar uma empresa de marketing, a Annexo (dos empresários Giuliano Conte e Ricardo Macedo), de Curitiba (PR). Isso fez com que a marca se profissionalizasse, ganhando logo própria, por exemplo, e uma identidade única nas redes sociais. “Foi uma reviravolta muito forte”, pontua.
O segundo foi uma capa orgânica da Harper’s Bazaar Brasil, com a influencer Maitê Faitarone. Foi aí então que stylists de famosas e influencers começaram a entrar em contato com ela para fazer produções, e uma delas fez toda a diferença: a megaestrela Anitta usou uma de suas criações.
Depois deste momento importante, Paula foi parar na semana de moda de Paris com seu próprio showroom. “Foi nossa primeira experiência internacional”, recorda.
“Eu não vendo roupa, eu vendo obra de arte. A obra de arte é um objeto de desejo, e é o que eu quero que minha marca seja. Quero que seja única, nada engessada, uma label muito diferente do que as pessoas estão acostumadas a ver”, declara.

Nesta semana, Paula já investe em um novo segmento: ela acaba de lançar sua primeira bolsa, batizada de Nautikah. “Ela é feita de cordas náuticas, que significam força e resiliência”, diz. Para os looks, a diretora criativa usa recursos como crochê, couro e seda pura, sempre prezando pelos melhores materiais e fornecedores.
E como ela vê a mulher que veste Pou? “Ela é uma mulher muito segura de si e empoderada. Para você usar uma roupa diferentona, você precisa ter personalidade. Nunca criei coisas rasas, sou completamente contra isso”, decreta.
Hoje, a marca está à venda via showroom, no Itaim, em São Paulo, trabalhando com pronta entrega e sob encomenda; além do e-commerce. Vale conhecer.



