
Nesta quinta-feira (04.06), os sindicatos Filctem Cgil, Femca Cisl e Uiltec Uil assinaram um acordo com o Grupo Kering no Ministério do Trabalho da Itália, que evitará demissões na Alexander McQueen.
“Graças à determinação dos trabalhadores e à iniciativa dos sindicatos de realizar uma greve em 20 de maio, foi possível alterar significativamente a posição inicial do Grupo Kering [controlador da marca], que previa a gestão unilateral das demissões”, declaram os sindicatos.
De acordo com o acordo firmado, os funcionários poderão receber indenizações rescisórias e as demissões foram adiadas para setembro.
Os funcionários da McQueen votaram unanimemente a favor do acordo. Esse desfecho “não é garantido, ele impede o impacto imediato das demissões e devolve as negociações ao centro das atenções.”
Conforme noticiado, a Kering afirmou que “sempre esteve comprometida em manter um diálogo social sólido e construtivo com os representantes de seus sindicatos”, reafirmando seu compromisso com a produção de alta qualidade na Itália.
Os sindicatos instaram a Kering a recorrer a “ferramentas coletivas e não traumáticas, a começar pelas redes de segurança social, para evitar que os funcionários paguem o custo da reorganização.”
Assim, continuaram os sindicatos, de agora até setembro, “será fundamental monitorar atentamente as potenciais saídas; manter um alto nível de atenção no local de trabalho e criar as condições para uma aplicação conjunta do plano ReconKering.”
ReconKering é o roteiro estratégico apresentado pelo CEO da Kering, Luca de Meo, em abril, durante um Dia do Mercado de Capitais em Florença, com o objetivo de promover prioridades mais claras, maior responsabilização e tomada de decisões mais ágil.
O plano foi articulado em torno de três fases: concluir uma reestruturação até o final de 2026, entrar em uma fase de reconstrução com crescimento sustentável até o final de 2028 e retomar a “liderança do grupo como referência no segmento de Luxo” até o final de 2030.
Em fevereiro passado, de Meo afirmou que não teve outra escolha senão realizar cortes profundos e rápidos, já que a McQueen acumulou grandes prejuízos com a abertura de 135 lojas em todo o mundo e permitiu-se tornar excessivamente dependente das vendas de tênis, que em determinado momento representaram 80% de sua receita.
A greve, concluíram os sindicatos, demonstrou que “a união dos trabalhadores é fundamental para se obter resultados.”
A participação dos funcionários do Grupo Kering na greve de 20 de maio em Scandicci, na Toscana, chegou a mais de 1 mil pessoas.
Ao mesmo tempo, centenas de funcionários da Kering também protestaram em Novara, na região italiana do Piemonte, e em Parabiago, a meia hora de carro de Milão. Todas as três cidades abrigam instalações, fábricas e escritórios da McQueen.
Dos 181 funcionários da McQueen, esperava-se que as demissões totalizassem 54, dos quais 38 seriam em Novara.
Uma novidade na marca foi anunciada esta semana: a Kering nomeou Gianfranco D’Attis como o novo CEO da McQueen, sucedendo a Gianfilippo Testa.


