
A chegada de Alessandro Michele à Valentino tem provocado encanto e controvérsia. Muitos críticos apontam que ele teria levado para a maison traços excessivamente pessoais – ecos da sensibilidade barroca e repleta de pastiches que marcou sua era na Gucci – em uma casa associada, quase de forma inviolável, a uma elegância burguesa impecável.
“Jamais fui um designer ‘elegante’ no sentido tradicional. Para muitos, provavelmente sou a pessoa menos elegante que existe. E, ainda assim, essa palavra quase mitológica sempre me fascinou e moldou gerações, inclusive a minha”, afirma o estilista.
O lookbook, assim como a coleção que apresentou, soa como um afastamento calculado dos ornamentos e da exuberância que às vezes obscureceram sua mensagem. Apesar de ambientado em um palácio, o cenário é surpreendentemente comedido. O casting é enxuto, a maquiagem suave e o styling muito mais discreto do que os fogos de artifício característicos das temporadas anteriores. “Mantive tudo sóbrio”, diz Michele – uma declaração improvável para quem o conhece.
Os visuais retomam o auge da Valentino dos anos 1980 e 1990: ombros estruturados, moldados com precisão, servindo de base para minivestidos impecáveis em blocos de cores intensas; uma suspensão quase total das estampas e misturas, substituídas por texturas matelassê e detalhes em veludo; e um flerte com o vestuário formal diurno, de sabor burguês, prontamente subvertido pela irreverência característica de Michele.
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