
O Centro Cultural Banco do Brasil e o Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC-Bahia) apresentam “A Olho Nu”, exposição de Vik Muniz em cartaz de 13 de dezembro de 2025 a 29 de março de 2026, em Salvador. A mostra é a maior retrospectiva já dedicada ao artista e reúne mais de 200 obras, de 37 séries, além de quatro esculturas inéditas, produzidas especialmente para a exposição.
Com curadoria de Daniel Rangel, “A Olho Nu” percorre diferentes fases da trajetória de Vik Muniz, dos anos 1980 até hoje. O recorte propõe um diálogo entre o trabalho do artista e a cultura da Bahia, estado com o qual Muniz mantém relação direta há décadas. O artista vive entre Salvador, Nova York e Rio de Janeiro e mantém casa e ateliê na capital baiana.
Paralelamente à exposição no MAC_Bahia, a galeria Lugar Comum, criada por Muniz em 2021 na Feira de São Joaquim, exibe uma instalação inédita baseada na obra “Nail Fetish” (2010), da série “Relicário”.

No MAC_Bahia, o público encontra obras-chave de diferentes períodos, incluindo as esculturas “Queijo”, “Patins”, “Ninho de ouro” e “Suvenir #18”, todas da série “Relicário” e criadas para esta edição da mostra.
A exposição tem início com um núcleo dedicado às esculturas, ponto de partida do percurso expositivo. A maioria das peças integra a série “Relicário” (1989–2025), apresentada ao público pela primeira vez desde 2014. O conjunto evidencia a transição do artista do objeto para a fotografia, eixo central da mostra.
Segundo Rangel, a exposição segue uma linha do tempo que acompanha essa virada na obra de Vik Muniz. O artista começou produzindo esculturas e, ao fotografá-las para registro, passou a assumir a câmera como parte do processo criativo. A partir daí, passou a construir imagens pensadas exclusivamente para serem fotografadas.

Esse método se reflete em séries como “Crianças de açúcar” (1996), em que Muniz fotografou crianças caribenhas que trabalhavam em plantações de cana-de-açúcar e recriou seus retratos usando grãos de açúcar. Para Rangel, Muniz se aproxima do que o artista canadense Jeff Wall define como o “fotógrafo agricultor”, aquele que constrói a cena que deseja registrar.
A mostra apresenta ainda obras pouco exibidas no Brasil, como “Oklahoma”, “Menino 2” e “Neurônios 2”, vistas anteriormente apenas em Nova York, em 2022, e no Instituto Ricardo Brennand. O percurso se encerra com a série “Dinheiro vivo” (2023), desenvolvida em parceria com a Casa da Moeda do Brasil a partir de fragmentos de papel-moeda.

Entre as séries presentes estão “Crianças de açúcar”, “Imagens de terra”, “Imagens de chocolate”, dos anos 1990; “Imagens de caviar”, “Imagens de diamantes”, “Pictures of Earthworks”, “Imagens de sucata” e “Imagens de lixo”, dos anos 2000; além de obras produzidas com manteiga de amendoim, geleia, macarrão e feijão.
Nascido em São Paulo, em 1961, Vik Muniz construiu uma obra marcada pela experimentação de materiais e pela investigação dos limites da imagem e da representação. Ao longo da carreira, também desenvolveu projetos sociais voltados à arte como ferramenta de transformação e visibilidade para grupos marginalizados.



