
O Teatro Oficina recebe, no dia 12 de abril, às 18h, a apresentação única do espetáculo “Bori”, que marca o encerramento do ciclo “Bori: Luz Negra no Terreiro Eletrônico”. Inspirada no conceito da filósofa e artista Denise Ferreira da Silva (de “pôr luz negra no mundo, fazer brilhar o que é opaco”), a programação reuniu uma série de atividades nas últimas semanas.
Ao longo do ciclo, foram promovidas conversas, leituras e vivências sobre racismo, luta urbana, teatralidades pretas e culturas afrodiaspóricas. Participaram nomes como o multiartista e historiador Salloma Salomão, o Coletivo Legítima Defesa, o arqueólogo Eduardo Neves, diretor do MAE-USP, e a jornalista e ativista Luciana Araújo, do movimento Mobiliza Saracura/Vai-Vai.
Antes do encerramento, a agenda inclui ainda a conferência “Luz Negra no Mundo – a epifania do corpo infinito”, no sábado, 11 de abril, com Denise Ferreira da Silva, professora da New York University (NYU) e referência internacional nos estudos de raça, ética e feminismo negro anticolonial.

No palco do Oficina, “Bori” reúne um coro de artistas pretos, nordestinos e caboclos que evocam as migrações das décadas de 1970 e 1980, ao mesmo tempo em que atualizam essas experiências no presente da companhia. A dramaturgia coral articula referências às tragédias coloniais com cantos de trabalho, partilha de alimentos, celebração e a ideia de “alegria como arma de desmassacre”.
Criado como um rito de oferenda à cabeça – o ori -, o espetáculo estreou em 2023 e vem sendo apresentado em datas simbólicas para o grupo. A montagem investiga a contribuição de artistas pretos e nordestinos na construção da linguagem coral e ritual do Oficina, especialmente a partir dos anos 1970, período marcado pelo retorno de José Celso Martinez Corrêa do exílio e pela chegada de migrantes do Nordeste, que intensificaram a pesquisa estética e política da Uzyna Uzona.
Sem temporada regular, “Bori” funciona como disparador de debates. Segundo Marília Piraju, nesta edição o foco se desloca do espetáculo como centro para o processo, ampliando o diálogo com artistas, pensadores e intelectuais que orbitam a criação.
Teatro Oficina – Viaduto Jaceguai, 520, Bixiga, São Paulo, SP.



