
A Galeria Movimento, no Rio de Janeiro, inaugura no dia 15 de março de 2026, às 15h, a exposição “Ciclo”, do artista visual Tomaz Viana, o Toz. A abertura coincide com os 50 anos do artista e celebra também três décadas de carreira, marcando um momento de síntese e transformação em sua produção. Com curadoria de Paula Mesquita, a mostra reúne obras que refletem essa fase mais madura do artista.
Conhecido por sua origem no grafite e na cultura urbana, Toz construiu ao longo dos anos uma linguagem visual marcada por cor, gesto e personagens icônicos. Com o tempo, essa estética se expandiu para pinturas, esculturas e instalações, mantendo a energia das ruas que marcou o início de sua trajetória.

O título da exposição faz referência à ideia de processo e continuidade. Em “Ciclo”, essa noção aparece tanto na trajetória do artista quanto em sua pesquisa visual. Elementos recorrentes em sua obra (curva, bola e círculo) ganham protagonismo e passam a estruturar as composições.
Personagens conhecidos do universo de Toz, como Nina, Shimu e o Vendedor de Alegria, também aparecem como referências nessa nova fase. Aos poucos, essas figuras foram sendo desconstruídas até restar seu elemento central: o círculo, que agora se torna o principal eixo visual das obras.
Nas pinturas apresentadas, séries de círculos surgem organizadas em campos de cor vibrantes, marcados por linhas livres e gestuais. Não há simetria perfeita: o traço é manual, e pequenas imperfeições fazem parte da linguagem do artista. A pesquisa também ganha dimensão tridimensional. Na exposição, o círculo deixa a superfície das telas e aparece em esculturas em forma de meia-esfera, instaladas no chão e nas paredes da galeria. Assim, a pintura passa a dialogar diretamente com o espaço e com o público.

Essa relação com o ambiente tem raízes na própria história de Toz. Antes das galerias e museus, seu trabalho nasceu nos muros e nas ruas, experiência que moldou sua percepção espacial e continua presente em sua produção.
O alcance da obra do artista também se reflete em sua circulação internacional. Ao longo da carreira, Toz realizou murais, instalações e intervenções urbanas em cidades como Paris, Madri e Hong Kong, além de projetos apresentados em espaços institucionais como a sede das Nações Unidas, em Genebra.
Em 2023, sua exposição “Todas as cores”, apresentada no Museu de Arte Contemporânea de Niterói, registrou mais de 40 mil visitantes, tornando-se a mostra mais visitada da história do museu desde sua inauguração.
Além da produção artística, Toz também se dedica a projetos sociais. Há cerca de dez anos, ele criou o Projeto Paz, iniciativa que oferece treinamento de jiu-jitsu para crianças e jovens nas regiões do Salgueiro e de Santa Teresa, no Rio.

Ao completar 50 anos, o artista transforma sua própria trajetória em matéria de reflexão. Em vez de uma retrospectiva, “Ciclo” propõe um olhar para o presente e para os caminhos que ainda estão por vir.
Galeria Movimento – Rua dos Oitis, 15, Gávea, Rio de Janeiro, Rio.



