
A Trama Afetiva fará sua estreia na Casa de Criadores N57 com um conjunto de ações que reúne desfile, exposição e lançamento editorial. A programação marca a consolidação do projeto, idealizado por Jackson Araujo e com direção de moda de Thais Losso, e conecta as etapas da Imersão Cultural em Moda Regenerativa realizada em outubro pelo ProAC.
A imersão reuniu estudantes, designers, artesãos e interessados em processos circulares para oficinas de transformação de resíduos urbanos, com foco no náilon de guarda-chuva descartado. O material, símbolo da plataforma, orientou experimentações que agora chegam à passarela, à sala expositiva e ao livro “Trama Afetiva: Moda em Regeneração”.
O desfile, “A Anarquia da Felicidade”, acontece em 5 de dezembro, às 18h, e apresenta uma coleção construída a partir do design por restrição, método central da pesquisa da Trama. Para Thais, trabalhar com limites materiais reorganiza o processo criativo. O styling de Márcio Banfi integra peças do arquivo da designer a novas construções feitas em náilon reaproveitado. Parte dos looks nasce também das oficinas formativas da imersão.
A apresentação conta com Mel Lisboa e Marina Dias, e tem apoio da Hering, Fundação Hermann Hering e Di Valentini.
Segundo Araujo, o desfile é um gesto político e educativo. Ele afirma que a regeneração só existe quando incorpora colaboração e reconhecimento de todas as mãos envolvidas: catadoras, costureiras, artesãs e designers. “Não mostramos roupas prontas. Mostramos vínculos, processos e ecologias possíveis”, diz. Para ele, criar moda nessa lógica é assumir o ato de reparação como método.
O diretor criativo destaca que o aprofundamento da pesquisa em 2025 consolidou o design por restrição como ética de trabalho. O uso de grandes volumes de guarda-chuvas descartados exigiu adaptação constante às variações de cor, desgaste e textura. Essa imprevisibilidade, afirma, fortaleceu a ideia de que limites são motores de invenção.
“A Trama Afetiva tem se tornado, organicamente, uma escola viva, sem paredes, sem hierarquias rígidas e profundamente conectada aos fluxos da cidade. Formamos criadores pela experiência: desmontando guarda-chuvas, escutando as histórias das catadoras, entendendo o impacto ambiental dos resíduos e reconstruindo tudo isso como objetos, roupas e narrativas. Nosso papel é abrir caminhos para que os novos designers entendam que o futuro da moda passa pela colaboração interdependente.”
Ele também aponta desafios para a expansão de práticas regenerativas em São Paulo, especialmente a falta de infraestrutura para resíduos urbanos e a distância entre design, produção e coleta. Para o criador, ampliar impacto social depende de fortalecer redes de catadoras e costureiras, aproximar instituições culturais e educacionais e inserir o tema em políticas públicas.

Além do desfile, a Trama lança sua primeira publicação, com textos produzidos pelos participantes da imersão. O livro reúne relatos e reflexões sobre resíduos e colaboração, e será distribuído gratuitamente a bibliotecas e escolas de moda do estado.
A programação inclui ainda a exposição “Do monstro híbrido ao corpo regenerativo”, na Sala de Vidro do CCSP. Com curadoria de Araujo, a mostra exibe manequins com peças construídas a partir de experimentações com náilon reaproveitado e propõe reflexão sobre ciclos de matéria e reaproveitamento.
Para Araujo, a plataforma se tornou uma escola viva, que forma criadores pela prática. A Trama Afetiva, afirma, quer transformar resíduos em ferramenta de imaginação coletiva e abrir espaço para uma moda baseada em redes, processos e responsabilidade.
A Trama Afetiva, plataforma de design social e regenerativo idealizada por Jackson Araujo e com direção de moda de Thais Losso, estreia na Casa de Criadores N57 com desfile, exposição e lançamento editorial. A programação apresenta resultados da pesquisa desenvolvida ao longo de 2025 e da Imersão Cultural em Moda Regenerativa, realizada em outubro por meio do ProAC, que reuniu participantes selecionados em edital estadual.
A imersão ofereceu oficinas de transformação de resíduos urbanos, com foco em náilons de guarda-chuvas descartados, material central da plataforma. Os participantes trabalharam conceitos de design por restrição, processos regenerativos e metodologias colaborativas. As atividades resultaram em peças, registros e experimentações que integram a apresentação na CdC.
No dia 5 de dezembro, às 18h, ocorre o desfile “A Anarquia da Felicidade”, com coleção assinada por Thais Losso. A diretora de moda orientou o time criativo a trabalhar exclusivamente com náilon reaproveitado, em superfícies planas ou em crochês desenvolvidos pela plataforma. O styling de Márcio Banfi utiliza peças do arquivo da designer e novas construções produzidas para o evento, articulando diferentes fases de sua produção. A apresentação inclui itens criados durante a imersão.

O desfile adota o conceito “Anarquia da Felicidade”, referência a uma postura que entende a prática coletiva e o uso de resíduos como formas de ação política. Araujo afirma que a proposta busca ampliar o debate sobre consumo e ciclos de matéria. A atriz Mel Lisboa desfila como embaixadora da plataforma, e a modelo Marina Dias participa como convidada.
Durante a Casa de Criadores, será lançada a publicação “Trama Afetiva: Moda em Regeneração”, reunião de textos produzidos pelos participantes da imersão. O volume aborda o impacto dos resíduos urbanos e o papel do design como ferramenta de recomposição material e social. O livro inclui ensaio de Araujo sobre fundamentos da plataforma e será distribuído a bibliotecas públicas e escolas de moda do estado.
A programação inclui ainda a exposição “Do monstro híbrido ao corpo regenerativo”, na Sala de Vidro do Centro Cultural São Paulo (CCSP). A mostra apresenta manequins com peças desenvolvidas a partir da investigação da Trama Afetiva sobre o náilon de guarda-chuva. A curadoria propõe reflexão sobre processos de reaproveitamento e sobre o ciclo de vida dos materiais, conectando a pesquisa da plataforma a debates contemporâneos sobre resíduos e regeneração.



