
A surpresa da notícia da morte do gênio Valentino, às vésperas do início da semana de alta-costura, pegou o mundo fashion de susto. Claro que a comoção pela coleção de hoje e a forma como Alessandro Michele iria prestar sua homenagem e celebrar o trabalho do mestre permeava nos comentários das fics de redes sociais.
Mas nós sabemos que a alta-costura demanda meses, quiçá anos para sair do desenho e encontrar a perfeição real, e mesmo o fato da maison ter ganhado fama de ágil na construção de peças espetaculares em seu início nos anos 60, do dia 19 de janeiro de 2026 para hoje tal rapidez nem seria vista com bons olhos.
Mas Michele é um amante da história, de referências, de mergulhar de cabeça nas entranhas da label que lhe confia o cargo de diretor criativo, e parte dessa necessidade de descobrimentos, que as coleções surgem, desta vez literalmente para uma plateia de olhares atentos, focados e sim, limitados propositadamente pelo espaço.
Não foi uma apresentação comum: a cenografia voyer replica a vontade intrínseca do ser humano de ver, ouvir, analisar, raciocinar, tirar sua conclusão, se agrupar, encontrar seus pares e semelhantes e só assim socializar baseado nas intersecções, e então o mesmo vestido surge na primeira e depois na segunda até chegar na última cabine circular.
Cada entrada a modelo tenta replicar a performance, os gestos, o caminhar, a velocidade, mas são nas diferenças destes detalhes que a percepção muda, novos pontos tornam-se focais, outra característica ganha destaque e novos grupos se formam, novas opiniões separam os que já foram pares. E desta dança particular, mas não individual, que o cérebro relembra que opinar é o que faz dos seres humanos capazes de viverem em sociedade.
A discussão é teatral, magnífica e exuberante, com cabeças, golas, volumes, bordados e transparências, fendas e decotes trazem sensualidade, rufos e luvas austeridade, explosões de cores o lúdico, preciosismo nos detalhes dos tecidos, aviamentos e claro nos impecáveis bordados manuais.
Do vestido vermelho que abre a apresentação, logo após ao trecho narrado sobre a importância do cinema para a trajetória do Valentino na moda, na voz do mesmo, Michele amarra a coleção pensada referenciar a sétima arte e sua importância para a maison, com a emoção geral atual que é de celebrar a trajetória do que foi e seguirá sendo um norte para os amantes da moda. Se Valentino desenhava o belo para todos verem, Michele hoje desenhou mais uma página bela na história da casa! BRAVO!
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