
Aos de humanas como eu estudar física no colégio sempre foi uma tortura, mas nomes como Santos Dumont, Einstein e Fibonacci querendo ou não me marcaram no ensino, principalmente quando o assunto é o novo, a curiosidade.
O saber voar, a velocidade e a expansão universal são estudos relevantérrimos destes cientistas, que nascem da vontade de saber, do tal comichão do querer descobrir, e de se provar.
Terreno novo esse que Jonathan Anderson está pisando em sua primeira coleção de alta-costura, primeira da vida e na maison Dior, aclamada e quisá top 3 de vendas no segmento, e beber do que se tem de mais natural, orgânico e poético – que é o inexplicável e complexo da natureza – permite um nascer puro, novo e leve como o desabrochar de uma flor.
Meio complexo para uma crítica de desfile de moda, mas se pararmos para observar o trabalho por de trás de uma construção de um vestido seguindo a risca o que configura ser couture, o trabalho de fato é extenso, complicado, desafiador e principalmente humano.
E é desta linha tênue entre o divino e humano que esta estreia se desenha. O que é orgânico ganha simetria Fibonacci dentro das torções tridimensionais dos looks em sua totalidade. Aliás, essa fixação por cantos arredondados ou shapes esféricos e circulares deram voltas e mais voltas amarrando toda a coleção.
Que felizmente não precisou se fixar em clichês de “New look” ou “Gallianismos”, Jonathan imprime mais uma vez suas próprias vontades. Do que já foram escarpins de bexigas na Loewe, na Dior são pétalas das flores que o criador da maison amava cultivar, ou das que John Galliano presenteou o novo no posto em sua primeira coleção.
Sensível, poético, mas também autêntico, o tom da alta-costura neste novo comando afunila ainda mais sua clientela, sabia ela terá de interpretar antes de ter, saber antes de passar o cartão, ou seja, pensar antes de escolher a Dior, e nós apaixonados por moda queríamos exatamente isso, uma provocação inteligente & bela, afinal a natureza criada por qualquer divindade pode tudo, e aparentemente o ateliê da maison tem confiança suficiente para querer se aproximar de tamanha perfeição. Veremos, felizes – BRAVO!
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