
“Que boa ideia este casamento primaveril em pleno outono” – memes à parte, que boa ideia este casamento Jonathan Anderson, Feminino, Natureza e História para o inverno 2026 que abre nossa cobertura da semana de moda de Paris. Direto do Parque das Tuileries a passarela geométrica ao ar livre com sol foi cenário e iluminação perfeitos para a coleção da Dior.
Sensível e sagaz, o diretor criativo pega na botânica, o orgânico criado por mãos divinas presente na riqueza de formas da natureza, e reorganiza modernizando as peças iconográficas da maison francesa de forma a gerar novo desejo na nova geração e, consequentemente, desperta nostalgia na clientela fiel.
O clássico New Look – que desde sua estreia na marca já passou por reformas interessantes – chegam nesta coleção achatados a uma silhueta que acintura não mais a cintura, mas sim logo abaixo dos seios, e a saia volumosa em camadas é fixa neste casaqueto curto recheando sua basque embabadada. De New look a New Bar Jacket. Será?
O icônico vestido Junon, com suas pétalas, também surpreende ao surgir representado por bordados em calças utilitárias em jeans, algo tão exclusivo e que mostra o savoir faire da casa como este longo vestido couture de 1949, agora em versão revolucionária, libertária, igualitária – mas sem perder sua identidade, revisitado para somar, para aproximar as pessoas da Dior de Anderson podemos dizer.
A coleção também questiona o tempo, uma flor tem seu desabrochar programado em sintonia com a polinização e logo em sequência dar espaço para novas mudas surgirem, as debutantes de vestido princesa que diziam estar na “flor da idade” hoje encurtam os babados, colocam as pernas de fora, vivem o desabrochar de forma que o tempo não as limita mais, o desejo é o que as guiam.
Por isso as lunch bags já vistas na última coleção retornam perfeitas para este rolê no parque, tamanho adequado para se carregar o necessário, de base reta para se parar em qualquer terreno e confortáveis feitas em camurças. Conforto este também visto nos tecidos felpudos e forrados dos casacos nada simétricos e com volumes de babados nas costas ou com quedas irregulares pensadas.
Nos pés, o retorno das sandálias com peito do pé decoradas, cores vivas como verdes e azul royal impactam e nos fazem observar dos pés a cabeça o total look, que são adornado também pelas flores, paixão do fundador da maison, em espertos mix de rendas, bordados, camadas e tambem nos brincos.
Além de apontar o fator ineditismo, ou de que na natureza não há réplicas, cada desabrochar é único. O belo é ser original.
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