
O Burberry Group adiou sua meta de reduzir as emissões a zero a emissão de gases de efeito estufa em uma década, para 2050, um revés para a tentativa da marca de luxo britânica de se tornar líder do setor em sustentabilidade.
A empresa, conhecida por seus cachecóis xadrez e trench coats de gabardine, afirmou ter abandonado a meta inicial de emissões líquidas zero para 2040 devido a uma compreensão mais detalhada de sua cadeia de suprimentos e dos planos de concorrentes do setor. O novo cronograma a coloca em linha com empresas do mesmo segmento, como Kering e LVMH.
“Acreditamos que nossas metas revisadas refletem uma resposta pragmática a fatores externos, ao mesmo tempo que nos permitem manter um nível de ambição alinhado com nossa avaliação das mudanças climáticas como um dos principais riscos que nosso negócio enfrenta”, escreveu a Burberry em seu relatório anual de 2025-2026, publicado na quinta-feira (28.05).
Nos últimos anos, um número crescente de empresas de diversos setores recuou em suas metas climáticas, em parte devido à interrupção das cadeias de suprimentos causada pela persistente instabilidade geopolítica.
O governo Trump também descartou muitas metas climáticas dos EUA, levando empresas, incluindo gigantes da tecnologia e montadoras de automóveis, a diluir seus esforços para reduzir as emissões nocivas.
Há cinco anos, a Burberry se posicionou como líder do setor ao anunciar a meta de emissões líquidas zero até 2040 — à frente de outras marcas de luxo e do Acordo de Paris sobre mudanças climáticas.
Posteriormente, a Chanel e a varejista de moda ASOS seguiram o exemplo da marca britânica ao anunciar metas para 2040, enquanto outras, como a Kering, proprietária de marcas como Gucci e Balenciaga, e a LVMH, mantiveram suas metas para 2050.
Um relatório separado da Burberry detalhou como a empresa pretende reduzir as emissões de suas próprias operações em 95% até o próximo ano. O restante das reduções de emissões na cadeia de valor – 90% em energia e indústria e 72% em florestas, terras e agricultura – será alcançado até o final de 2050, de acordo com o novo plano de transição climática.
A empresa submeterá as metas revisadas à iniciativa Science Based Targets (SBTi), um grupo que auxilia empresas a atingirem as metas de redução de gases de efeito estufa em consonância com o Acordo de Paris.



