
A galeria Martins&Montero inaugura, no dia 30 de outubro de 2025, a exposição coletiva “Desejo Negativo”, com curadoria da artista Jota Mombaça. A mostra parte da teoria queer para propor uma crítica às lógicas da reprodutibilidade, entendida não apenas como reprodução biológica, mas como princípio que sustenta o mundo hegemônico, colonial e normativo.
A exposição propõe um exercício de recusa e invenção, um “raio negativo” lançado sobre o presente. A expressão, usada pela curadora, traduz o desejo de destruir o mundo tal como o conhecemos, ou, ao menos, interromper a repetição das formas impostas de existir.
Reunindo artistas que cultivam o gesto de desfazer, “Desejo Negativo” entende o “não” não como negação estéril, mas como possibilidade de imaginar o que vem depois. O ponto de partida da mostra é a obra de Hudinilson Jr., figura central da arte brasileira contemporânea. Em seus trabalhos, o corpo, a cópia e o cotidiano são territórios de experimentação. Sua pesquisa com o xerox e a xerografia criou uma poética da reprodução desviada, distorcendo e reencenando a própria imagem.

A curadoria se aproxima de Hudinilson Jr. também por meio de uma visita a seu antigo apartamento-ateliê, ainda impregnado de sua presença. A exposição reimagina esse espaço íntimo, transformando acúmulos e camadas de vida em investigação sensível sobre o corpo e o espaço.
Além de Hudinilson Jr., a mostra reúne duas artistas de gerações distintas que compartilham inquietações com o mundo e suas formas de repetição. Bruna Kury, artista carioca e integrante do coletivo Coiote, cria obras que tensionam regimes de autoria e poder. Seus zines, frases e gestos táticos compõem um repertório de insurgência que faz da reprodutibilidade um campo de disputa estética e política.

Tetê, artista paraense, atua entre a poesia visual e a fotografia. Seus poemas-diagramas e publicações (impressas e digitais) constroem mapas afetivos que quebram a linearidade do sentido. Sua pesquisa atravessa linguagem, imagem e desejo, reescrevendo o mundo a partir da fratura.
Entre os três artistas, pulsa um movimento de recusa: rejeitar o pacto com uma sociedade que normatiza e corrige. O “desejo negativo” é, aqui, uma força vital, não o desejo de fim em si, mas o desejo de interrupção, para que algo novo possa surgir.

Com trajetória marcada pela performance, poesia e teoria crítica, Jota Mombaça estrutura a curadoria como um ensaio visual sobre os limites do presente e as possibilidades de dissolução do mundo como o conhecemos.
Martins&Montero – Rua Jamaica, 50, Jardim América, São Paulo, SP.



