
Uma maison histórica, repletas de marcos na moda, e bebe-se no raso. Os vídeos que nos davam spoilers da coleção de alta-costura da Dior sugeriam um período conturbado, mas marcante da grife na história, o legado de Yves Saint Laurent na marca posicionou uma silhueta longe ao corpo que foi hit, mas a atual diretora da casa, Maria Grazia Chiuri, apenas suspirou nessa fonte em casacos muito bem cortados.
O grande destaque ficaram na gaiola mesmo: barbatanas rígidas em saias translúcidas e franjadas dominaram a coleção – que rumores indicam ser uma das últimas da diretora a frente da marca, JW Anderson está cotadissimo ao posto.
O discurso sempre empoderado de Grazia, enaltecendo artistas mulheres como a que nesta temporada cobre o cenário, Rithika Merchant e a curadora Ann Coxon que analisa a obra “Dorothea Tanning” que inspira a coleção parecem somente ser uma fina camada no resultado final.
Silhuetas aristocráticas, rígidas, repleta de amarrações dos pés passando pelo corpo, configuram o corpo feminino na mais pura banalidade, o que remetia-se a um sonho lúdico como na pintura se concretiza de forma óbvia entre camisolas repletas de babados e fitas bordadas caídas pelas saias armadas. Um resultado não muito imaginativo ou inteligente como habitual da casa ou da própria Grazia.
Destaque para os moicanos de pena que foram o twist moderno ao look total, mas mesmo os usando ao ver-se o todo, o sentimento é de falta, a centenária herança parece sem fôlego, mas sejamos positivos ao menos os olhos abertos pintados no cenário que visavam observar a alma ainda não piscaram, quem sabe não haverá mais tempo para desfazer esse embaraço muito bem representado nas amarrações das altas botas espartilhadas?
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