
O Museu da Imagem e do Som do Pará (MIS), em Belém, recebe a exposição “Claudia Andujar – cosmovisão”, organizada pelo Itaú Cultural, em paralelo à COP30. A abertura ocorre no dia 7 de outubro, às 18h, com bate-papo entre os fotógrafos Elza Lima e Alexandre Sequeira e o curador Eder Chiodetto, seguido de visita guiada às 19h. A entrada é gratuita, sujeita à lotação.
Em cartaz até 18 de janeiro de 2026, a mostra inaugura a itinerância de um recorte da exposição exibida em 2024 no Itaú Cultural, em São Paulo. O projeto tem expografia assinada por Marcus Vinicius Santos e parceria do MIS/Sistema Integrado de Museus e Memoriais da Secretaria de Cultura do Pará.

Com 71 trabalhos produzidos ao longo de seis décadas, a exposição revela a dimensão experimental da obra de Andujar, reconhecida por expandir os limites da linguagem fotográfica no Brasil. “Ela foi decisiva para que a fotografia fosse incorporada aos museus como arte nos anos 1970”, destaca Chiodetto.
Entre os recursos técnicos explorados pela artista estão filmes infravermelhos, cromos riscados, filtros monocromáticos, sobreposições e distorções de luz e cor. Essas experiências abriram caminho para registrar dimensões imateriais, como a espiritualidade Yanomami, tema central de parte significativa de sua produção.

A mostra ocupa três ambientes no MIS:
– Fase experimental – séries como “Pesadelos e Homossexuais”, criadas nos anos 1970 em plena ditadura.
– Trabalhos com os Yanomami – incluindo “O voo de Watupari”, “O sonho verde-azulado” e “Reahu, o invisível”, que retratam a cosmovisão indígena.
– Audiovisual – projeções do livro “Amazônia” (1978) e a videoinstalação “Sonhos Yanomami” (2002–2024), em parceria com o artista Leandro Lima.
Refugiada do nazismo, Claudia Andujar chegou ao Brasil em 1955 e construiu no país uma das trajetórias mais relevantes da fotografia contemporânea. Aos 92 anos, segue reinterpretando sua própria obra e reafirmando a potência da imagem como ponte entre o visível e o espiritual.



