
Giulia Be está de volta à música com um projeto à altura de sua ambição criativa e de seu momento mais maduro. Batizado com o próprio nome, “Giulia Be” reúne 21 faixas em português, inglês e espanhol, escritas ao longo dos últimos nove anos (algumas quando a cantora ainda era desconhecida, outras inspiradas no amor que vive hoje). “São histórias colecionadas ao longo da vida”, conta. A estreia aconteceu nesta quinta-feira (23.10) com “Fool For Love”, primeiro capítulo de uma jornada audiovisual que será lançada semanalmente até 2026.
Mais do que um álbum, o projeto é um manifesto pessoal e emocional, que expõe todas as faces da artista: a brasileira que resgata memórias afetivas, a que se expressa em inglês e reflete sua vivência entre Brasil e Estados Unidos, e a que abraça o espanhol como refúgio criativo. “Pela primeira vez, posso ser todas as Giulias ao mesmo tempo. Decidi não cortar mais as minhas próprias asas”, diz a cantora.
Produzido pela Immigrants, com direção de Olivia Mucida e direção criativa de Lennyn Salinas, o trabalho foi pensado como uma série de videoclipes interligados, uma espécie de “White Lotus” musical, como definiu o presidente da Sony, Afo Verde, que propôs a narrativa por capítulos.
É também o primeiro grande lançamento de Giulia sob seu contrato global com a Sony Music, tornando-a a primeira artista brasileira de sua geração a integrar o casting internacional da gravadora.
Com canções autorais em três idiomas, participação do irmão e parceiro criativo Dany Marinho, e produção de nomes que já trabalharam com Rihanna, Bad Bunny, Sabrina Carpenter e Madonna, “Giulia Be” representa a consolidação de uma trajetória que começou com o hit “Menina Solta” e agora mira o mundo, sem perder o tom confessional que sempre a acompanhou.
Leia a seguir o papo que CHNews teve com Giulia Be.

Seu novo projeto leva seu próprio nome e tem 21 faixas em três idiomas. Por que lançar algo tão pessoal e ambicioso?
Ah, essa ambição mora dentro de mim há muito tempo. Eu estava há anos esperando para mostrar para o mundo tudo o que existe dentro de mim, e essas três versões são parte disso. Foi um processo longo, de reunir histórias e músicas que escrevi em diferentes momentos da minha vida. Algumas têm nove anos; outras, quatro meses. É o projeto mais honesto que já fiz, e o primeiro em que posso realmente ser todas as “Giulias” ao mesmo tempo.
Como foi o processo de seleção das faixas?
A gente ouviu mais de duzentas músicas para chegar nas 21. Foram anos sem lançar, mas trabalhando intensamente. Escrevi músicas em diferentes fases: tem uma, “No Problem”, que compus há nove anos, quando fui traída, e outras sobre o meu noivo e o amor que vivo hoje. Também adoro pegar histórias emprestadas. Se alguém me conta uma fofoca boa, vira música. (risos)
A ideia de lançar os clipes como uma série foi sua?
Nasceu de uma conversa com o Afo Verde, presidente da Sony. Ele disse que todo domingo esperava um episódio novo de “White Lotus” e sugeriu: “E se o público esperasse o próximo capítulo da sua história, com uma música diferente por semana?”. Achei genial. Os vídeos se conectam aos poucos, e o público vai entendendo as camadas da minha personalidade e da narrativa.
Gravar em inglês e espanhol faz parte de um plano de carreira internacional?
Desde o começo, nunca acreditei nessa ideia de “carreira internacional”. Acho que existe uma só carreira, e as escolhas que a gente faz dentro dela. Minha primeira música, “Too Bad”, já era em inglês e entrou em “O Sétimo Guardião”. Eu sempre escrevi nesses três idiomas, então agora estou apenas mostrando tudo o que sempre esteve guardado. Quero que as pessoas conheçam quem eu sou de verdade, sem precisar escolher um idioma para me definir.
Você chama o projeto de “manifesto pessoal”. O que ele revela sobre você?
Muita fofoca boa! (risos) Cada música é uma história. Tem faixa sobre traição, sobre não querer crescer, sobre amor e sobre não querer sair do país. São capítulos da minha vida, e de outras pessoas também. Cada idioma traz uma personalidade diferente, e isso me libertou como compositora. Eu só canto porque escrevo. Se não escrevesse, acho que nem cantaria.
Trabalhar com seu irmão Dany influenciou o resultado final?
Totalmente. Ele me acompanha desde o início, é meu parceiro de estúdio e de vida. A gente tem uma conexão muito especial e liberdade para se desafiar criativamente. Ele é o advogado do diabo nas composições, sempre questiona tudo. E tem um ouvido incrível. Foi ele quem me apresentou o Bad Bunny há sete anos, quando ninguém falava dele. Nosso trabalho juntos é um segredo de família que não tem preço.

Por que começar a jornada com “Fool For Love”?
Queria abrir com energia, com uma faixa dançante e pop, que causasse impacto. Esse projeto é como uma cebola, você vai descascando e descobrindo novas camadas. No começo, entrego força e poder; depois, vulnerabilidade. Acho bonito mostrar que meu poder também vem das minhas fraquezas.
Se pudesse resumir o projeto em uma frase?
É difícil. “Ser ou não ser. Eis a questão.” Ou, melhor, To be or not to be… Giulia Be? Cada música traz essa pergunta, e, ao mesmo tempo, a resposta.
Você sente que é um amadurecimento artístico?
Com certeza. Nos outros projetos, a banana ainda estava verde. Agora está madura, e pronta para ser consumida pelo público. (risos)



