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IA com coração: a startup que une tecnologia e criatividade no varejo

por Carol Hungria
15/06/2026
Tempo De Leitura: 6 minutos de leitura
Renata Rezende e Eduardo Torres – Foto: Divulgação

Enquanto boa parte do mercado ainda testa ferramentas genéricas de inteligência artificial para “ver no que dá”, a Popgen nasce com uma ambição bem específica: ser a camada de infraestrutura de IA do varejo, começando por moda, beleza e lifestyle. Mais do que gerar imagens, a startup quer se posicionar como um sistema contínuo que conecta conteúdo, dados e operação.

A Popgen nasce se definindo como uma “AI vertical” para o varejo. Na prática, isso significa construir tecnologia pensada desde o dia zero para as particularidades de moda e beleza, um setor em que estética, consistência visual e operação de grande volume precisam andar juntos.

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“Quando a gente criou a Popgen, a ideia nunca foi ser mais uma plataforma self-service de IA onde a marca entra, digita prompt por prompt e sai uma foto que não dá para usar no e-commerce”, diz Renata Rezende, cofundadora e CEO. “A gente quis ir fundo no problema real do varejo: tempo, escala, consistência de catálogo e eficiência operacional.”

Embora atue com direção criativa, curadoria e modelos, a Popgen faz questão de não se posicionar como agência.

“Nós somos uma empresa de tecnologia. Não somos uma agência”, resume Eduardo Torres, cofundador e líder de growth. “Mas somos uma empresa de tecnologia diferente, porque trazemos serviço de direção criativa, curadoria e criatividade para dentro. A IA generativa sozinha não entrega, por si só, a perfeição estética condizente com o DNA das marcas. É a junção de tecnologia com criatividade humana que gera qualidade premium em escala.”

Em vez de ser mais uma ferramenta isolada, a Popgen se enxerga como “camada contínua” de inteligência aplicada ao negócio. A proposta é integrar, em um único ecossistema, processos que hoje ficam espalhados em diferentes times e fornecedores: captação e produção de imagens, organização de catálogo de produtos, geração de conteúdo e gestão de identidade visual em múltiplos canais.

“A maior parte das empresas ainda trata imagem como um ativo estático”, afirma Renata. “A gente acredita que imagem é apenas uma parte de uma infraestrutura mais ampla, que conecta criação, dados e operação. Estamos construindo um sistema que integra essas dimensões, permitindo que as marcas operem com consistência, velocidade e escala.”

O ponto de partida da Popgen está justamente na dor mais óbvia – e, ao mesmo tempo, mais negligenciada – das operações de moda: a produção de conteúdo visual.

Hoje, o fluxo tradicional ainda é longo, caro e cheio de atritos: peça chega no CD, vai para o estúdio, exige logística, locação, contratação de modelos, equipe de foto, pós-produção, aprovação, para então entrar no e-commerce. Em paralelo, há um “trabalho invisível” de organização de pastas, nomeação de arquivos, input manual de dados e descrições.

“O principal gargalo que a gente identificou é operacional”, explica Renata. “Existe um lead time enorme entre a peça chegar e a foto estar pronta para entrar no e-commerce. Isso afeta diretamente time to market e conversão. E além disso, tem todo um trabalho manual, repetitivo, dentro do time de estúdio e produção visual, que consome tempo que poderia estar sendo usado em criatividade e estratégia.”

A proposta da Popgen é transformar esse fluxo em um sistema contínuo. O processo começa com um setup customizado para cada cliente, em que a equipe da startup, incluindo direção criativa, “decupa” o DNA visual da marca: poses, acting, enquadramentos, iluminação, estética, uso de modelos, o que é “A” e o que é “B”.

“A Bruna Bismara, nossa diretora criativa, entra junto para entender regras estéticas, linguagem de acting, como a marca quer ser representada. A partir disso, a gente transforma tudo em fluxo e regras em software”, conta Renata.

Segundo Eduardo, essa camada de software proprietário é o coração da proposta: “A gente cria fluxos, pipelines proprietários da marca para decupar esse DNA. Assim, a foto que a gente gera para a ‘marca A’ não sai com cara da ‘marca B’. Ainda usamos modelos fundacionais como todo mundo, mas não competimos com eles. A diferença é a orquestração que fazemos por cima – várias camadas nossas, mais os modelos de mercado.”

Depois do setup, entra o dia a dia operacional: a marca envia fotos das peças (em flat, manequim, ou prova), ou fotografa diretamente via app da Popgen, que já organiza SKUs, looks e categorias. A partir dali, a IA gera as imagens com base nas regras daquela marca, o time da Popgen faz a curadoria e, por fim, o cliente aprova tudo em uma plataforma própria, com comparação lado a lado entre foto base e imagem gerada.

“Não é só gerar foto e largar na mão da marca”, diz Renata. “A gente pensou na jornada de ponta a ponta: download em massa, formatos certos para e-commerce, regras de nomenclatura alinhadas com o ERP e a plataforma de vendas. É IA aplicada à produção visual, mas também à infraestrutura visual.”

Em um momento em que C-levels pressionam por IA “para ontem” e falam em substituição em massa, a Popgen insiste em outra narrativa: a tecnologia não elimina o humano – reconfigura o trabalho.

“Teve um momento em que muita gente acreditou que IA substituiria tudo: não precisa mais de fotógrafo, nem de modelo, nem de jornalista”, lembra Renata. “O que a gente vê na prática é um amadurecimento. Pessoas especializadas, operando boas ferramentas, conseguem resultados muito melhores, com mais velocidade. A IA tira a parte repetitiva, não a parte crítica.”

Eduardo reforça esse ponto: “Existe uma pressão muito grande para ‘botar AI para dentro’ e matar processos que não vão morrer tão cedo, principalmente a criatividade humana. A nossa tese é simples: tecnologia vai transformar processos e, sim, algumas posições da produção tradicional vão desaparecer. Mas ela não mata tudo. Ela exige times internos transformados, parceiros com visão criativa e a associação disso com software.”

Uma das grandes apostas da Popgen é justamente a formação desses novos times dentro das marcas – squads capazes de operar IA com visão de negócio, e não apenas como ferramenta pontual.

“Já temos clientes que montaram estrutura específica para operar Popgen: gente para tirar foto de peça com qualidade, gente para aprovar imagem, gente focada em curadoria visual”, diz Renata. “Não é apertar um botão. São novos processos e novos profissionais.”

Ao centralizar imagem, catálogo e conteúdo em uma única plataforma, a Popgen também aposta em algo que ainda é pouco explorado no dia a dia da moda: dados como ativo proprietário de longo prazo.

Cada interação alimenta o sistema com mais informação sobre produto, identidade visual e performance. A promessa é que, quanto mais a marca usa a plataforma, melhor o sistema entende seus padrões e mais consistente a operação se torna.

“A gente não está só automatizando tarefas”, resume Renata. “Estamos criando um sistema que aprende com a operação e fortalece o negócio das marcas ao final de cada dia de uso.”

A estratégia inicial da Popgen é clara: mirar em operações complexas, com alto volume de produtos e necessidade constante de conteúdo.

A startup já atende grandes nomes como Pernambucanas, Riachuelo, NK e Calvin Klein, além de projetos em desenvolvimento com outras empresas, incluindo setores além da moda, especialmente em conteúdo editorial e bancos de imagem.

“Começamos pelo mais difícil, que é moda”, diz Renata. “É o nicho mais criterioso, com mais nuances e exigência estética. A partir daí, fomos expandindo para beleza, lifestyle e, agora, outros segmentos que precisam de soluções visuais em escala.”

Para um mercado em que a pressão por velocidade e custo convive com a necessidade de construir marca, a Popgen se coloca como um player de médio e longo prazo: menos hype de prompt, mais arquitetura de sistema.

“Quando você junta tecnologia com coração, com criatividade, dá para ir muito mais longe”, resume Eduardo. “IA, sozinha, não resolve. IA mais gente boa resolve – e escala.”

Tags: Bruna BismaraCalvin Kleindestaque homeEduardo Torresinteligência artificialNKPernambucanasPopgenRenata RezendeRiachuelovarejo
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