
A Louis Vuitton enfrenta uma investigação de lavagem de dinheiro na Holanda por compras em cash feitas por uma cidadã chinesa que gastou cerca de US$ 3,5 milhões em bolsas e outros artigos de luxo. Ela comprou diferentes itens em diversas lojas na Holanda ao longo de um período de 18 meses – o que levou as autoridades holandesas a iniciar uma investigação contra a grife francesa por não ter coibido um suposto esquema de lavagem de dinheiro.
A suspeita, identificada como Bei W., supostamente adquiriu os itens de grife em lojas da Louis Vuitton entre 2021 e 2023, informou o jornal “Dutch News”. Os produtos da Louis Vuitton estão entre os itens mais vendidos da divisão de moda e artigos de couro da LVMH.
Os promotores alegam ainda que o morador holandês da cidade de Lelystad, localizada a cerca de 80 quilômetros a nordeste de Amsterdã, pagou em dinheiro obtido de um banqueiro clandestino condenado, levantando a possibilidade de ligações com o crime organizado transnacional.
Eles também suspeitam que pelo menos um funcionário de uma loja da Louis Vuitton na Holanda auxiliou ou aconselhou o suspeito sobre como estruturar os pagamentos para permanecer abaixo do limite legal de denúncia. Segundo os investigadores, a Louis Vuitton não tomou medidas básicas, como verificar a identidade do cliente ou sinalizar o padrão suspeito de repetidas transações de alto valor em dinheiro.
As autoridades argumentam que a falta de escrutínio da empresa pode ter permitido a lavagem de dinheiro. As compras em dinheiro foram deliberadamente estruturadas de forma que nenhuma transação individual ultrapassasse 10 mil euros – o limite que, segundo relatos, acionaria a denúncia obrigatória pelas leis holandesas de crimes financeiros.
As autoridades holandesas afirmam que as transações foram planejadas para burlar as leis locais de combate à lavagem de dinheiro, que exigem que os varejistas reportem transações de alto valor ou suspeitas. A Louis Vuitton, principal marca da LVMH, representa uma parcela significativa dos US$ 48 bilhões em receita de moda do grupo. Neste caso, os investigadores alegam que Bei W. usou uma técnica conhecida como estruturação – também chamada de “smurfing” – para evitar a detecção.
Os itens comprados teriam sido enviados para a China e Hong Kong para evitar os altos impostos de importação de Pequim, uma prática conhecida como “daigou”. O comércio clandestino de “daigou” foi estimado em mais de US$ 86,7 bilhões em 2023. As autoridades afirmam que esse sistema fornece um mecanismo para lavagem de dinheiro proveniente de crimes sob a capa de comércio transfronteiriço legítimo.
O Ministério Público Holandês (OM) nomeou oficialmente a Louis Vuitton Holanda como suspeita na investigação. No entanto, ainda não está claro se acusações criminais formais serão apresentadas.



