
A Gentil Carioca São Paulo abre, em 15 de agosto, “Mariana Rocha: Espaço profundo”, primeira individual da artista na unidade paulista da galeria. Em cartaz no espaço da Travessa Dona Paula, em Higienópolis, a exposição reúne 13 pinturas inéditas, realizadas em acrílica e pastel oleoso sobre tela, e conta com texto crítico de André Pitol, professor, pesquisador e curador adjunto da 36ª Bienal de São Paulo. A mostra fica em cartaz de 17 de agosto a 24 de outubro de 2026.
Conhecida por investigar o corpo, a memória e o feminino a partir de referências ao universo marinho, Mariana amplia agora sua pesquisa em direção ao cosmos. O movimento, que já surgia de maneira discreta em trabalhos anteriores, ganha protagonismo em obras como “Vapor d’água no espaço profundo” e “Penugem, penumbra II”, ambas de 2026.
O mar, no entanto, não desaparece. Ele continua presente como paisagem, matéria e metáfora, aproximando a imensidão das águas das profundezas do corpo. Moluscos e outras formas da fauna marinha integram esse repertório visual, que parte de elementos reconhecíveis para criar corpos e cenários imaginários, atravessados pelo mistério.

Nas pinturas, corpo, mar e cosmos aparecem como universos de escalas diferentes, mas igualmente complexos e abissais. As superfícies se dobram, se transformam e parecem ganhar novas dimensões, em um movimento que remete ao origami. A artista também estabelece um diálogo com tecnologias capazes de revelar aquilo que não pode ser visto a olho nu, da estrutura interna do organismo às imagens do espaço profundo.
É nesse território entre o visível e o desconhecido que Mariana experimenta novas relações entre corpos, paisagens e cosmos. Para Pitol, o conjunto marca uma mudança de direção no trabalho da artista: “essa virada de pescoço para cima, de dentro para o alto” evidencia a conexão entre a matéria corporal e as forças que regem os corpos.
Ainda em 2026, Mariana participa de uma residência artística no El Espacio 23/The 55 Project, em Miami, nos EUA.


