
A aproximação entre indústria e varejo e as transformações no perfil do consumidor brasileiro estarão entre os temas discutidos na Febratex 2026, realizada de 18 a 21 de agosto, no Parque Vila Germânica, em Blumenau (SC). A programação terá encontros promovidos pela Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abvtex) e pelo Iemi – Inteligência de Mercado, com análises sobre fornecimento responsável, novas oportunidades comerciais e mudanças que devem orientar as estratégias das empresas nos próximos anos.
No dia 19, às 15h, a gerente do Programa Abvtex, Angela Bozzon, apresenta a palestra “Programa Abvtex: conectando a indústria às oportunidades do varejo de moda”, na Arena do Conhecimento. O encontro mostrará como a adoção de boas práticas sociais, trabalhistas e ambientais pode fortalecer a gestão dos fornecedores, facilitar o acesso às marcas varejistas e ampliar as possibilidades de negócio.
Criado há mais de 15 anos, o Programa Abvtex reúne atualmente mais de 3,5 mil empresas aprovadas e alcança cerca de 532 mil trabalhadores em 616 municípios de 18 estados. A iniciativa estabelece critérios para o fornecimento responsável e busca aumentar a transparência e a segurança nas relações entre marcas, confecções e oficinas.
A apresentação também abordará o Selo Cobre, voltado à inclusão produtiva de pequenas oficinas de costura. Para Angela, conformidade e sustentabilidade deixaram de representar apenas uma obrigação e passaram a funcionar como fatores de competitividade.
“Nosso objetivo é mostrar à indústria que investir em boas práticas também significa ampliar oportunidades de negócios e estreitar a relação com o varejo”, afirma.

No dia seguinte, 20 de agosto, das 9h às 12h, o Iemi realiza uma edição do Iemi Experience na feira. Conduzido pelo diretor Marcelo Prado, o encontro apresentará dados sobre produção, distribuição e consumo nos mercados de moda e de cama, mesa e banho, além de perspectivas para 2026 e 2027.
Um dos principais assuntos será o crescimento da chamada geração prateada. Segundo dados reunidos pelo instituto, a idade média dos brasileiros passou de 28 para 36 anos entre 2000 e 2024. No mesmo período, a participação das pessoas com 45 anos ou mais aumentou de 23% para 38%, enquanto a renda per capita avançou 39%.
O envelhecimento da população já influencia as escolhas de consumo, com maior procura por roupas informais, leves e confortáveis. Mas atender esse público exige mais do que desenvolver coleções específicas. Modelagem, variedade de tamanhos, comunicação, organização das lojas, atendimento e integração entre os canais físicos e digitais também precisam acompanhar a transformação demográfica.
“Conhecer o tamanho do mercado é importante, mas já não é suficiente. As empresas precisam entender quem está consumindo, como as prioridades das famílias estão mudando, quais regiões apresentam maior potencial e por quais canais os produtos chegam ao consumidor”, afirma Prado.
A força do varejo multimarcas será outro eixo do encontro. Presente em cidades nem sempre alcançadas pelas redes próprias, o canal amplia a capilaridade das marcas e oferece informações sobre hábitos e necessidades locais. Para o Iemi, essa proximidade com o consumidor pode ajudar fabricantes a desenvolver produtos e políticas comerciais mais adequados às diferentes regiões do país.
Em sua 19ª edição, a Febratex ocupará cerca de 40 mil metros quadrados, distribuídos em dez pavilhões. Considerada uma das principais feiras da indústria têxtil das Américas, a programação reúne empresas e profissionais de diferentes elos da cadeia em torno de tecnologia, sustentabilidade e geração de negócios.



