
Uma imersão pela vasta coleção de livros pessoais de Gabrielle Chanel. É aqui que Matthieu Blazy encontra feijões mágicos, flores venezianas surreais e uma natureza criativa e lúdica que inspira sua segunda coleção couture para a Chanel.
A silhueta de duas peças – já clássica da maison e na qual o diretor criativo segue explorando novas possibilidades – continua construída de forma mais relaxada, tombada e lânguida, sem perder a feminilidade e, às vezes, até mesmo a suavidade com sedas quase líquidas.
A cenografia de uma floresta encantada que tem vida própria, roubando cadeiras e levando-as para o alto, serve de pano de fundo para uma sequência de looks onde o métier precioso dos bordados, os acabamentos de ares inacabados e as inúmeras texturas têxteis que remetem ao clássico tweed ganham um reforço “anti-IA”. Isso se materializa na presença do artista plástico Joël Blanc na primeira fila, retratando em pinceladas rápidas de aquarela tudo o que o rodeava.
Uma menina que sonha, que quer voar alto – como Gabrielle queria e fez – também precisou subverter regras. Em contraste com a trilha melódica, as modelos ouviam durante a passarela um declame de voz imperativa recitando as “regras de como ser uma boa moça”, quase como se a sociedade tentasse invadir esse templo feminino, potente e impenetrável. Em resposta a isso, mais rebeldia: a tradicional noiva surge no meio do desfile (bela e rebelde, obviamente) e quem fecha o show é o clássico little black dress!
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