
No dia 7 de abril, a galeria Mendes Wood DM abre simultaneamente duas exposições que colocam em diálogo diferentes gerações e modos de pensar a arte contemporânea. De um lado, a força histórica de Lygia Pape; de outro, a investigação sensorial e conceitual de Daniel Steegmann Mangrané. As mostras ocupam os espaços da Barra Funda e da Casa Iramaia, propondo percursos distintos, mas atravessados por questões comuns sobre percepção, matéria e experiência.
A exposição de Lygia Pape marca sua primeira individual na galeria e antecipa o centenário da artista, celebrado em 2027. Considerada uma das figuras centrais da arte contemporânea brasileira, Pape tem sua trajetória revisitada por meio de um conjunto que reúne obras emblemáticas e trabalhos raramente exibidos. Desenhos, xilogravuras, pinturas, esculturas e instalações constroem um panorama que atravessa mais de cinco décadas de produção, evidenciando a consistência e a radicalidade de sua pesquisa.

Entre os destaques, duas montagens da série “Ttéia” ocupam os diferentes espaços da galeria. Na Casa Iramaia, “Ttéia 1 b” (2000) cria uma atmosfera de suspensão com fios dourados que se organizam em formas cilíndricas e desenham zigue-zagues entre as paredes. Já na Barra Funda, “Ttéia nº 7” (1991) aparece em uma configuração pouco convencional: duas estruturas piramidais cobertas por pigmento azul, iluminadas por lâmpadas da mesma cor em uma sala escura, intensificando a experiência imersiva e sensorial proposta pela artista.

Em paralelo, Daniel Steegmann Mangrané retorna a São Paulo após oito anos com a mostra “Uma folha translúcida no lugar dos olhos”. Reunindo pinturas, esculturas e hologramas, o artista constrói um conjunto que funciona como uma espécie de lente para observar as relações entre o material, o orgânico e o geométrico, temas recorrentes em sua produção.
A obra inédita “Folhas translúcidas” (2026), que dá origem ao título da exposição, sintetiza essa investigação. Camadas finas de tinta se sobrepõem a desenhos de folhas, encobrindo-os parcialmente e criando a sensação de observar algo através de um véu. O resultado é um jogo delicado de profundidade e percepção, em que o olhar é constantemente desafiado a atravessar superfícies e reinterpretar o que se revela – ou se esconde.
Juntas, as exposições propõem uma experiência complementar: enquanto Pape conduz o visitante por experimentações que tensionam espaço, luz e corpo, Mangrané convida a um olhar mais atento e dilatado sobre as estruturas invisíveis que organizam o mundo.
Mendes Wood DM – R. Barra Funda, 216, Barra Funda, São Paulo, SP.
Casa Iramaia – Rua Iramaia, 105, Jardim Europa, São Paulo, SP.



