
Abrindo a temporada de verão 2027 da semana de moda de Milão, a Prada de Miuccia e Raf Simons dá continuidade a essa parceria criativa que completa seis anos de um olhar particular e intelectual para o vestir.
Ao primeiro momento, uma coleção ultrafeminina, ladylike, sexy e romântica, mas estamos falando de Prada, e nada é exatamente o que parece. As modelagens planificadas e geométricas, ao vestir o corpo, envelopam a ideia de que há algo por trás deste vestir-se de ar delicado.
A trilha da fila final denuncia: a decepção de um amor que já não existe mais é o combustível desta mulher para sair do casulo e retornar viva, assim como as cores bold que pintam saias, tops e casacos de couro desgastados, ou que surgem nas estampas abstratas ao longo da coleção.
A silhueta é clara, um top + uma saia e, se necessário, quem sabe um casaco. Mas quantas saias surgem destes moldes de décadas como 1940 e 1950! Rodadas, plissadas, com e sem fendas, retas, bordadas, no joelho, abaixo ou acima dele. Afinal, para que calças? Para que o masculino?
Na Prada, o foco sempre será sobre elas, a visão de mundo delas, suas dores e delícias. Raf sabe disso e faz coro com Miuccia nessa voz altiva que os amantes da marca tanto conhecem, admiram e respeitam. Afinal, os saltos podem até ser frágeis, delicados e finos, mas quem pisa é empoderada demais.


