
Uma das frases mais usadas ao se estudar a história da moda é que ela é cíclica, tendências vão e vêm, atitudes mudam, desejos se ajustam, seu closet é um acervo de memórias que podem ou não serem ativadas momentaneamente para expressar seu eu agora.
Mas a própria história da humanidade é também definida por essa roda da fortuna, vezes mais transgressora, do nada uma quebra na liberdade, vozes são ouvidas e, na sequência, silenciadas, mas quando falamos politicamente o peso é outro. Os afetados são muitos, as consequências muitas vezes irreversíveis.
E vendo a coleção inverno 2026 da Prada, que acabou de ser desfilada na semana de moda de Milão, o sentimento de que essas consequências aos atos chegou também na moda. Muito falamos sobre o clima que precede a crise, mas e se ela já estiver ocorrendo? E se os direitos já estiverem sendo cerceados? O que nos resta para reivindicar? A barbarie? O caos? A anarquia?
É bebendo nas fases transgressoras da história da moda que a coleção é construída, do grunge ao punk, da luta feminista à sindical, as roupas aristocráticas vão sendo dissolvidas e o que se vê por elas são vividos lampejos de liberdade.
Essa sutileza de Miuccia Prada e Raf Simons na construção da narrativa, que se reflete nas roupas, traduz a pisada no freio que a moda tem dado na espera por melhores ventos.
Mas mesmo tentando frear a intenção é clara – existe luz no fim do túnel – vezes estampas, vezes explosões de cores saindo pelos punhos em sobreposições, ou mesmo na riqueza de bordados nas saias cobertas por um layer transparente de organza preta ou adornando meias e sapatos, dando ao pisar com cautela ao menos uma pincelada lúdica, feliz, uma pisada no futuro otimista!
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