
Uma contagem regressiva está em curso no transporte marítimo. A Organização Marítima Internacional (IMO) prepara um mandato regulatório que deve formalizar, em 2026, metas obrigatórias de descarbonização para o setor, responsável por 3% das emissões globais de gases de efeito estufa. As regras entram em vigor a partir de 2028 e exigirão cortes anuais na intensidade de carbono: 30% até 2035, 65% até 2040 e neutralidade de emissões por volta de 2050.
Com a regulamentação, o descumprimento das metas acarretará multas de até US$ 380 por tonelada de CO₂ emitida acima do limite. A estimativa é de um passivo global superior a US$ 1 trilhão, o que pressiona a substituição dos modelos baseados em combustíveis fósseis.
O setor discute agora qual tecnologia dominará a nova geração de embarcações. Enquanto empresas internacionais testam o uso de metanol e amônia, o Brasil apresentará no dia 9 de novembro, em Belém, na véspera da COP30, o projeto JAQ Hidrogênio, voltado à produção de barcos autossuficientes movidos integralmente a hidrogênio. O evento marcará a estreia do JAQ H1, embarcação de 36 metros cuja operação e sistemas internos utilizam o combustível limpo.

O projeto é uma iniciativa do Grupo Náutica, liderado por Ernani Paciornik, em parceria com a Itaipu Parquetec, a montadora chinesa GWM, a engenharia naval MAN (Alemanha) e empresas apoiadoras como Heineken, Café Orfeu e Artefacto. O consórcio busca viabilizar técnica e economicamente o uso do hidrogênio verde no transporte aquaviário.
“O custo de produção do hidrogênio verde ainda é elevado, mas a tecnologia de eletrólise deve baratear em até 70% na próxima década. Além disso, o cálculo de retorno sobre investimento precisa considerar o custo da não conformidade com as novas regras da IMO”, afirma Paciornik.
O JAQ H1 está em fase final de testes no estaleiro Inace, em Fortaleza, e funcionará como plataforma de pesquisa e educação ambiental, testando a segurança e a eficiência do hidrogênio em operação real.
Segundo Paciornik, a COP30 também confirmará as próximas etapas do programa, incluindo a construção do JAQ H2, embarcação de 50 metros prevista para 2027, projetada para operar de forma totalmente autônoma. “A falta de infraestrutura para abastecimento de hidrogênio exige soluções de transição. O JAQ H2 representa esse passo”, diz o executivo.



