
De volta às terras brasileiras, Tiago Barbosa assume o protagonismo na temporada carioca de “Ópera do Malandro – Na visão de Jorge Farjalla“. Nascido no Rio de Janeiro, o ator mora em Madrid desde 2016, mas já fez retornos ocasionais para o país para participar de algumas produções. Por exemplo, em 2024, interpretou Milton Nascimento em “Clube da Esquina – Os Sonhos Não Envelhecem“, com uma performance que foi muito elogiada.
Em entrevista para o CHNews, Tiago conta que, após três anos fora do país, foi trazido de volta pelo desejo de trabalhar com Jorge Farjalla, o diretor desta versão. “É um diretor que tem um compromisso com o primor da obra, com a excelência: a excelência no figurino, a excelência na sua direção. Ele tem uma visão sobre o mundo e a arte que me chama muita atenção como artista”, diz. Além disso, ele comenta sobre a oportunidade de interpretar o primeiro Max Overseas Navalha negro da “Ópera do Malandro”. “E eu espero ser o primeiro de muitos outros”, afirma.
Mesmo diante de uma responsabilidade dessa proporção, ele mostra tranquilidade, leveza, segurança e confiança no processo de criação de seu personagem. Trabalhando ao lado de Farjalla, o ator conta que teve muita autonomia para escolher suas próprias referências para a elaboração do seu papel ao longo dos seus cerca de 30 dias de preparação.
O resultado é um Max Overseas Navalha que transita entre os universos do samba e do funk, tanto na sua personalidade quanto nos seus movimentos. Tiago cita, antes de mais nada, suas influências familiares: “Meu pai era sambista, a minha mãe gostava muito do Carnaval. Então fui vasculhando esse samba da malandragem, essa maneira de dançar, esse jeito de colocar o chapéu”. A isso ele soma a forma de se portar do samba de gafieira, passistas, mestre-salas, assim como outras referências do candomblé.
“E uma das coisas que eu não queria abrir mão”, continua, “era também alguma maneira de trazer para dentro desse samba o funk e a favela”. Para o ator, incorporar traços do funk na obra, situada na década de 1970, é uma maneira de atualizá-la e trazer elementos que fazem parte da sua própria história em São João de Meriti.
Em conjunto, todas essas características criam um Max Overseas Navalha que, ao seu ver, vive sob o lema “nunca deixe a peteca cair”. Ou seja, um personagem que persiste e encontra soluções criativas para os problemas que surgem na sua frente, mas sem perder o sorriso e a malandragem. “Ele tem uma coisa muito brasileira de não deixar a peteca cair. Parece que vai dar errado, mas vai dar certo sim”.
Depois de 10 anos morando na Espanha, trabalhando no Brasil apenas em produções,pontuais, Barbosa enxerga sua volta ao país como um “refresh” na sua carreira e trajetória no que ele considera ser o momento certo. “Eu lá na Espanha, tendo contato com a língua em horário integral, 100% falando a língua espanhola ou inglês, eu precisava voltar para a minha matriz, voltar para a minha casa”, afirma.
Durante essa década de vivência espanhola, o ator conta que vive uma relação de saudade com o seu país natal. Por outro lado, seu aprendizado artístico foi enorme: “O coração do Tiago segue o mesmo, mas eu acho que o refinamento artístico, a chatice artística, o lado técnico do Tiago mudou muito”. E é justamente essa técnica aprimorada que ele traz para sua temporada na “Ópera do Malandro”.
Além disso, Tiago também comenta sobre a complexidade da obra: “É apoteótico, é Brasil. Ele tem uma brasilidade, uma afro-brasilidade dentro desse show que é incrível”. Em meio a essa complexidade, e apesar de ter mais cenas faladas do que cantadas no musical, ele busca transmitir leveza e emocionar a plateia. “Eu tenho duas pequenas canções de, não sei, um minuto. E nesse minuto eu quero aproveitar para tentar roubar o coração desse público”, conclui.
Por fim, perguntado quais outros papéis o trariam de volta para o Brasil, ele diz não ter uma preferência em particular. No lugar, seu principal critério de escolha é de trabalhos que o tirem da zona de conforto e explorem seu potencial artístico. “Não tem um espetáculo XYZ, tem diretores que acreditam no meu potencial, diretores que sabem que eu sou chato artisticamente”, finaliza.


