
Em 2026, a inteligência artificial já abandonou, há muito tempo, o mundo da ficção científica. A IA já faz parte do cotidiano e não dá sinais de desaceleração. Ela já se faz presente nas mais diversas áreas do comportamento humano, das ferramentas de pesquisa à edição de imagens. E agora, ela se aproxima do e-commerce de roupas. Mais especificamente dos provadores virtuais.
Não que a ideia de provadores virtuais seja uma novidade completa. Ferramentas que sobrepõem imagens no rosto e corpo de usuários já são conhecidas e empregadas há anos. Mas, essas tecnologias funcionam de maneira parecida com um filtro do Instagram ou TikTok, em que a pessoa abre a câmera do celular e o aplicativo adiciona uma figura sobre o seu rosto por meio de um mapeamento. Exemplos mais comuns dessa aplicação são provadores virtuais em sites de maquiagem que ajudam na escolha das cores dos produtos.
Porém, o movimento que acontece agora vai além da sobreposição de imagens. Usando a inteligência artificial, os novos provadores virtuais buscam se aproximar cada vez mais do corpo dos usuários e recriar o caimento das roupas sobre eles.
Essas mudanças tecnológicas apoiadas na inteligência artificial abordam um dos principais desafios enfrentados pelo e-commerce de vestuário. A barreira imposta pelo mundo digital impede o contato real com o produto. A falta de interação física gera diversos obstáculos para a compra: desde dificuldades com tamanhos até a devolução de itens por incompatibilidade com a expectativa original.
Todo ano, a National Retail Federation (NRF) lança um relatório sobre as devoluções de produtos e o comportamento de clientes e vendedores neste contexto. A última edição desse relatório, o NRF Retail Returns Landscape Report, apontou que as três categorias que lideram em número de devoluções são: vestuário, calçados e acessórios. O dado mais relevante é o seguinte: as devoluções de roupas compradas no e-commerce variam entre 20% a 40%. E as principais razões apontadas por trás disso são problemas com tamanho e caimento da peça.
Para as lojas, a taxa de devolução elevada representa um dos grandes desafios para o e-commerce de roupas. As empresas precisam lidar com o custoso e demorado processo de receber, avaliar e decidir um novo destino para as peças devolvidas, seja por meio da sua destruição ou volta para os estoques de vendas. Decidir o que fazer com esses itens demanda tempo e energia das marcas, isso sem mencionar os custos envolvidos no reembolso dos clientes sobre os valores das compras devolvidas.
No dia 16 de março de 2026, mais uma novidade chegou ao mercado. Em parceria com a Catcher, a Nvidia anunciou o lançamento de um novo provador virtual: o RealFit. O grande diferencial trazido pelo RealFit será o cuidado com a física dos materiais para imitar o caimento das roupas no corpo do consumidor. Dessa forma, o comprador só precisará fazer o upload de uma foto sua e o provador virtual se encarregará de o vestir com a peça desejada.
E as marcas brasileiras não ficam de fora. O exemplo mais recente disso é da gaúcha Renner e do seu provador virtual. Disponível no site da marca, mais de 500 mil pessoas já experimentaram essa tecnologia durante seu processo de compras. O provador virtual da Renner opera por meio da criação de um avatar virtual para indicar o tamanho mais adequado para a compra. Basta que o usuário indique sua altura, idade e peso para que o provador crie o avatar virtual com base nessas informações. E ainda com a adição da customização de medidas de busto, cintura, quadril e tom de pele, o provador se adequa ao máximo possível ao biotipo do consumidor. Isso torna a experiência da compra online ainda mais prática, tanto para a loja quanto para o comprador.

Os casos apresentados aqui são apenas uma pequena amostra das mudanças que a inteligência artificial está promovendo no universo do e-commerce. Essa tecnologia, por exemplo, já se expandiu pela Nike, Zara, Reserva, Vans, Aramis e até mesmo pelo Try On do Google. Ao que tudo indica, os provadores virtuais ganharam um poderoso aliado com a inteligência artificial.


