
Marca espanhola do grupo Inditex, a Zara já não é mais a mesma. Completando neste ano seu cinquentenário, investiu em megacampanha, digna de maison de alta moda, com 50 top models da indústria fotografadas por Steven Meisel, com cabelos por Guido Palau e maquiagem pela dama Pat McGrath.
A gigante do vestuário, uma das pioneiras na estratégia que fundou o termo fast-fashion, atualmente apresenta novos planos. De forma semelhante a marcas de luxo, a empresa abraça o storytelling e traz branding que a diferencia de outros negócios com apelo semelhante, como as chinesas Temu e Shein, que lideram o mercado com rapidez brutal de produção.

Um marco desse novo momento foi a abertura de mais uma unidade, em endereço estratégico, de seu café próprio, ao estilo das grifes de luxo internacionais. Na cidade de Seul, na Coreia do Sul, a cafeteria segue bem ao estilo Prada Caffè, do Grupo Prada, ou Blue Box Café, da Tiffany & Co. A inauguração do “Zacaffè” em solo sul-coreano veio na mesma semana em que completou aniversário de cinquenta anos de mercado, como em meio à coroação de uma nova era.

A marca foca agora em fechamento de espaços menores e presença mais forte nos endereços amplos, com treinamento de pessoal para experiência mais sofisticada. As lojas têm novo visual merchandising, com menos araras e roupas amontoadas e mais toques de curadoria no decor.

Além disso, semelhante à ideia da sueca H&M, a Zara vem apostando em colaborações a quatro mãos com figuras-chave do mundo da moda: a supermodelo Kate Moss, o designer com passagens por Zegna e Saint Laurent, Stefano Pilati, além do icônico stylist Harry Lambert. Em mais uma demonstração de sua aproximação com o luxo, abriu neste ano uma pop-up de skiwear em Verbier, na Suíça, com loja em formato de iglu – evidência do marketing de experiência típico deste segmento.
Tendo agora uma marca secundária para competir de igual para igual com as rivais chinesas, a Zara pode dar prosseguimento ao seu novo capítulo na moda premium, com preços em consonância, como vestidos para o eveningwear custando até US$300. Também do Grupo Inditex, a sua irmã mais nova, Lefties, se autoproclama de moda acessível, “para todos os públicos e idades”, com retail de calças femininas, por exemplo, a €9,99 euros.
Segundo relatos de empresas especializadas, os preços que a loja espanhola pratica, tanto para peças femininas quanto masculinas, já são mais que 20% superiores aos de anos anteriores. E além do aumento dos números nas etiquetas, a empresa trabalha hoje com itens confeccionados em couro e camurça legítimos, ou ainda em seda, o que encarece e torna premium, também, a produção.

Só na China, terra das suas maiores concorrentes atualmente, a Zara já se aliou a designers locais, como Susan Fang e Calvin Luo, para aumentar sua presença com herança e design diferenciado naquele mercado. Além de parcerias, no último mês de março ela abriu uma flagship-modelo de 2.500m² na cidade de Nanjing, com salão para experiências de private shopping, a primeira das unidades asiáticas do Zacaffè e estúdios de “fit check”, trend jovem de conteúdo para mostrar o look do dia.
Com materiais mais sofisticados, arquitetura e design rebuscados em lojas, preços que não têm perspectiva de decréscimo, cafés de luxo, além de parcerias e endereços táticos, a Zara finca oficialmente seu nome em outro lugar no mercado. Ela entendeu que, para sobreviver no mercado de moda, precisaria subir de categoria e abocanhar o público de classe média que não quer mais consumir itens de qualidade inferior, porém que ainda não tem possibilidade de adquirir o alto luxo.



