
Com marcas e conglomerados de luxo, como a grife britânica Burberry e a holding Kering, registrando franca queda em vendas, o mercado de moda está mais cauteloso que nunca. Nestes tempos de alerta aceso para a moda, que navega em meio a um cenário macroeconômico incerto, buscar um meio-termo entre sofisticação, qualidade e acessibilidade parece ser a solução.
Quando a economia está instável, como é o caso atual, a renda dos consumidores é revertida majoritariamente nas despesas urgentes, e o varejo de moda é um dos primeiros setores a perder receita. Para os consumidores que ainda se mantêm firmes nas compras, aumenta a desconfiança no retorno do valor investido, ao questionarem em como as peças são produzidas ou se os itens se igualam na qualidade que entregam e no preço que exigem.
Com essa inquietude, muitos dos consumidores fogem dos preços astronômicos, que não se sustentam mesmo na busca por qualidade, e tendem a migrar do segmento de luxo para a categoria premium, ou do luxo acessível. Esta seção guarda etiquetas menos vultosas junto à aparente qualidade de fabricação – e é aí que as marcas da categoria de Stuart Weitzman garantem sua fatia de mercado.
De modo geral, quem está se saindo bem nessa trama são as marcas que mediam elegância, preço e compreensão dos novos tempos. Ralph Lauren, com seu apelo de sofisticação clássica e quiet luxury relatou aumento de 24% nos lucros operacionais ajustados. Já a Coach, do grupo Tapestry Inc., obteve crescimento, tanto nas vendas, quanto na receita anual, catapultado por modelos de bolsas como a viral Tabby, fabricada em couro, de estilo versátil e que acompanha etiqueta a preço médio, a partir de US$ 330.
Alguns podem aferir que apenas manter preços baixos é o caminho das pedras em tempos de crise. Porém, mesmo nas varejistas que já os praticam, torna-se límpido que o equilíbrio entre zeros e a entrega de qualidade é o que retomará os números. Inclusive, em meio ao aumento de tarifas do governo Trump, que encarece toda a cadeia de produção das marcas fast-fashion, nem players como a Shein conseguiram conter revisões nas tabelas de preços e a desaceleração do consumo.
Mais uma prova de que apenas preços baixos não resolvem: a varejista britânica Primark e o grupo sueco Hennes & Mauritz AB, dono da H&M e da COS, relataram menor crescimento. A gigante do Reino Unido registrou queda de 4% nas vendas no território britânico, enquanto o conglomerado escandinavo apresentou declínio de 42% em seu lucro operacional no primeiro trimestre do ano fiscal corrente.
Embora não seja exatamente da seção de luxo acessível, a Zara se destacou e tem case de sucesso relacionado. Original player do fast-fashion, a marca espanhola tem se aproximado do luxo ao mudar suas estratégias de branding e parece conseguir abocanhar o consumidor premium. Sua controladora, Inditex, demonstrou crescimento de 4% nas vendas entre 1º de fevereiro e 10 de março deste ano, em relação ao mesmo período de 2024.



